15.5.06

encaixe

São feitos por trás, como se de bolos se tratassem.
Bolas de berlim, assim, como as que comíamos na praia em pequenos?
Não, não tão redondos nem tão fáceis de agarrar. Mais do tipo escorregadio. A grande semelhança é que também despertam a vontade de mergulhar. Mas daí também não podemos tirar grandes conclusões. São tantos os objectos que nos estimulam assim.
Mas como foi que os descobriste?
Num dia de sol.
Só?
Num dia de sol em que tudo cantava. Até os carros. Aqueles dias de janela aberta e música alta, de mar à esquerda, de ventoinhas no máximo. Era um dia de solidão bem aceite, melhor que isso, de solidão apreciada. Até Elton John parecia rei em vez de senhor.
Seguraste-lhe arma? A do teu pai? Desculpa…
Não. Fiz de mim um yankee activo, quase de boné posto, em cima de um camelo. E o animal bebia calmamente a água do oásis. E eu deixava-me estar, serenamente atento ao som dos seus golos.
O que achas que vão as pessoas dizer de tudo isto?
Que enlouqueci. E que te levei comigo, como se pesasses pouco, como se coubesses na minha mochila. Como vou rir-me!
Mas explica lá melhor o objecto. Só mais uma vez.
E se em vez de falarmos, escutássemos? Melhor, se em vez do silêncio, nos olhássemos? Frente a frente ou lado a lado. Aqui, sobre esta escarpa de manteiga.
Gosto muito das tuas explicações.
E eu de ti, criança. E eu de ti.