O Vermelho Glorioso
Depois do tempo passar tão forte, como rajadas de vento num deserto onde não se foi ainda. Depois de cenas de estilo ou tiques de boca. Depois de noites quentes abraçadas por um Deus ensinado ou noites de luz em danças de Verão. Depois de partidas e regressos e procuras e adeus. Depois do tempo que volta em mãos fechadas ou gritos de estado maior. Depois do cinzento misturado com o amarelo, depois das cicatrizes nas mãos e na testa, depois dos pensos mal colados e da neve de um Inverno abrupto. Depois das carapaças batidas e das cascas duras, das gretas de sabedoria e das faltas de oportunidade. Depois da vida que corre bem e dos olhares de longe.
O regresso ao Nilo. À torre de Pisa sem mãos que a segurem, ao topo da muralha, às saladas ao sol e ao papel de cor. Ao nariz de Cleópatra, às listas de cinco, à tábua sobre o mar, às paradas em terras escondidas. A volta um pouco à frente, o coliseu em Budapeste, o soneto em Lichinga. As moscas sobre as pautas e as mãos sobre os joelhos. A luz púrpura sobre a costa espanhola, o derby vencido a vermelho. Acima de tudo as músicas escondidas, as que se perdem no tempo ou envergonham o gosto. A magia das vias de leite, os dentes partidos em metamorfose perfeita. Duas mãos que se tocam com força [abaixo a brandura], numa coragem transmissível, numa robustez de vitória. O agradecimento aos de baixo, o cabelo desordenado, a barba por fazer. Os calos da inteligência, as admissões do dano.
A negação total do arrependimento, como num brinde a todas as cores, às fachadas já cortadas. O credo na mudança caduca, apenas as árvores morrem de pé.
E o cheiro da terra nas mãos.
O regresso ao Nilo. À torre de Pisa sem mãos que a segurem, ao topo da muralha, às saladas ao sol e ao papel de cor. Ao nariz de Cleópatra, às listas de cinco, à tábua sobre o mar, às paradas em terras escondidas. A volta um pouco à frente, o coliseu em Budapeste, o soneto em Lichinga. As moscas sobre as pautas e as mãos sobre os joelhos. A luz púrpura sobre a costa espanhola, o derby vencido a vermelho. Acima de tudo as músicas escondidas, as que se perdem no tempo ou envergonham o gosto. A magia das vias de leite, os dentes partidos em metamorfose perfeita. Duas mãos que se tocam com força [abaixo a brandura], numa coragem transmissível, numa robustez de vitória. O agradecimento aos de baixo, o cabelo desordenado, a barba por fazer. Os calos da inteligência, as admissões do dano.
A negação total do arrependimento, como num brinde a todas as cores, às fachadas já cortadas. O credo na mudança caduca, apenas as árvores morrem de pé.
E o cheiro da terra nas mãos.

3 Comments:
Matilde...
O coliseu que viste foi em Roma
O soneto que ouviste foi em, não em Bubapeste
Mecanhelas, não em Lichinga~
;)
every man's memory is his private literature.
aldous huxley
tou a adorar este blog
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