<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225</id><updated>2011-11-11T23:15:43.507Z</updated><title type='text'></title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>83</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-115832466865300380</id><published>2006-09-15T13:48:00.000+01:00</published><updated>2006-09-15T13:51:08.673+01:00</updated><title type='text'>às vezes um regresso (sinal de maturação)</title><content type='html'>[acabou na mesma. mas não faz mal voltar a casa, por vezes.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes que te sinto quando já nem te sei? Sabes que a cidade se transformou num esquema diferente, como o mar passou a ter ondas novas, como as frutas me cresceram nas mãos? Não sabes... &lt;br /&gt;Já não és o meu amor, não pela razão do teu amor ser outro, só porque tu já não és o meu. Só porque eu já não te vejo quando os olhos são fechados, não acordo em alvoroço, não fumo por um reflexo, só por um prazer. Eu já não gosto de ti, já nem sequer da tua imagem. Passaste a ter forma de novo, como antes, antes do amor. Passaste a a ser só um humano, só mais um mas todos são tão importantes. Só és um bocadinho menos. &lt;br /&gt;Quando pensávamos saber de tudo e cheirar de tudo, sentir de tudo ao mesmo tempo, esqueciamos o ritmo das coisas simples. Eu já nem sei o que isso é, podia dizer. Mas sei, acreditas? Alguém acredita? Voltei ao que nunca tive, à pequenez de um dia curto ou à chuva quando faz calor. Aos pés molhados ao relento, e isso não dói nem sequer trás frio. À autoestrada a cortar a Natureza e até isso pode ser bonito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isto. Basta um pequeno pormenor. Pequeno, fácil, insignificante, concretizável: eu não te posso ver. Eu não posso saber que número de calças vestes só pela arma da visão, não posso saber o que comes ou o que bebes, não posso saber em que sala tu ficas quando descansas. Não posso saber do que ris ou como brilhas. Quais são os teus projectos de iluminação de espaços, quais são as pedras que queres apanhar do chão para me atirar, os murros e os silêncios nas ruas à noite. Mas afinal já nem atiras nada, não precisas, tens finalmente quem o faça por ti, é tão mais fácil ser a pedra mas não ser a mão. Como é mais fácil dar as feridas nos braços e nas costas, deixar marcas físicas em vez de deixar memórias. Porque a memória é um lugar onde se volta sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu. Por ti prometi que não daria mais nada, nem sequer um olhar de longe ou um carinho de cumplicidade perdida. Conseguiste o que sempre julguei impossível, que olhasse o Homem com desilusão ou sem vontade. Que não parasse nas passadeiras nem desse de comer aos mendigos. Que não falasse de sentimentos puros, que não chorasse porque o tempo se esgota e há sempre coisas mais importantes para se fazer. Que deixasse de acreditar num deus, nem sequer isso, só deixar de lhe falar porque há sem dúvida coisas mais importantes para se fazer. &lt;br /&gt;Ah, mas afinal um deus tem que existir, uma força tem de haver, não sei se nasce das pedras ou dos montes, se do ar ou da autoestrada. Se soubesses o prazer que me nasceu por parar nas passadeiras, por dar de comer ou dar de conversar, se visses como é bom sair de casa e conhecer pessoas na rua, de novo, à noite ou de dia. Como é bom tantos saberem quem sou, saberem mesmo sem mentiras, e ainda assim me amarem sem condições. Como é bom amar sem condições, gostar de cada um que passa só pela sua condição de transeunte. Ser menos, sendo mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é bom já não gostar de ti. Ou nem saber de ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-115832466865300380?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/115832466865300380/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=115832466865300380' title='20 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/115832466865300380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/115832466865300380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/09/s-vezes-um-regresso-sinal-de-maturao.html' title='às vezes um regresso (sinal de maturação)'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114787363790529920</id><published>2006-05-17T14:47:00.000+01:00</published><updated>2006-05-17T14:47:17.906+01:00</updated><title type='text'>FIM</title><content type='html'>O Città Stencil acaba aqui. Depois de alguns meses de viagens, onde se começou em Milão e se acabou em Lisboa, chega agora a hora do fim. Não há amor que dure sempre.&lt;br /&gt;Está-se há tempo demais em casa, e por casa não se escreve. Agora espera-se por outros países, talvez assim por outros blogs.&lt;br /&gt;A todos os que me leram, um enorme obrigada. Foi bom ter-vos por perto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimo-nos por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114787363790529920?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114787363790529920/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114787363790529920' title='17 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114787363790529920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114787363790529920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/05/fim_17.html' title='FIM'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114787355287933867</id><published>2006-05-17T14:40:00.000+01:00</published><updated>2006-05-17T14:47:00.896+01:00</updated><title type='text'>antes do Fim</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/Imagem%28568%29.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/Imagem%28568%29.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/Imagem%28559%29.0.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/Imagem%28559%29.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/Imagem%28567%29.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/Imagem%28567%29.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114787355287933867?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114787355287933867/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114787355287933867' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114787355287933867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114787355287933867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/05/antes-do-fim.html' title='antes do Fim'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114772090812381427</id><published>2006-05-15T20:19:00.000+01:00</published><updated>2006-05-15T20:21:48.143+01:00</updated><title type='text'>encaixe</title><content type='html'>São feitos por trás, como se de bolos se tratassem. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bolas de berlim, assim, como as que comíamos na praia em pequenos?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não, não tão redondos nem tão fáceis de agarrar. Mais do tipo escorregadio. A grande semelhança é que também despertam a vontade de mergulhar. Mas daí também não podemos tirar grandes conclusões. São tantos os objectos que nos estimulam assim. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas como foi que os descobriste?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Num dia de sol.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Num dia de sol em que tudo cantava. Até os carros. Aqueles dias de janela aberta e música alta, de mar à esquerda, de ventoinhas no máximo. Era um dia de solidão bem aceite, melhor que isso, de solidão apreciada. Até Elton John parecia rei em vez de senhor. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seguraste-lhe arma? A do teu pai? Desculpa…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não. Fiz de mim um yankee activo, quase de boné posto, em cima de um camelo. E o animal bebia calmamente a água do oásis. E eu deixava-me estar, serenamente atento ao som dos seus golos. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que achas que vão as pessoas dizer de tudo isto?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Que enlouqueci. E que te levei comigo, como se pesasses pouco, como se coubesses na minha mochila. Como vou rir-me!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas explica lá melhor o objecto. Só mais uma vez. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E se em vez de falarmos, escutássemos? Melhor, se em vez do silêncio, nos olhássemos? Frente a frente ou lado a lado. Aqui, sobre esta escarpa de manteiga. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gosto muito das tuas explicações.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E eu de ti, criança. E eu de ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114772090812381427?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114772090812381427/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114772090812381427' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114772090812381427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114772090812381427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/05/encaixe.html' title='encaixe'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114744766263567929</id><published>2006-05-12T16:24:00.000+01:00</published><updated>2006-05-12T16:27:42.656+01:00</updated><title type='text'>O Vermelho Glorioso</title><content type='html'>Depois do tempo passar tão forte, como rajadas de vento num deserto onde não se foi ainda. Depois de cenas de estilo ou tiques de boca. Depois de noites quentes abraçadas por um Deus ensinado ou noites de luz em danças de Verão. Depois de partidas e regressos e procuras e adeus. Depois do tempo que volta em mãos fechadas ou gritos de estado maior. Depois do cinzento misturado com o amarelo, depois das cicatrizes nas mãos e na testa, depois dos pensos mal colados e da neve de um Inverno abrupto. Depois das carapaças batidas e das cascas duras, das gretas de sabedoria e das faltas de oportunidade. Depois da vida que corre bem e dos olhares de longe. &lt;br /&gt;O regresso ao Nilo. À torre de Pisa sem mãos que a segurem, ao topo da muralha, às saladas ao sol e ao papel de cor. Ao nariz de Cleópatra, às listas de cinco, à tábua sobre o mar, às paradas em terras escondidas. A volta um pouco à frente, o coliseu em Budapeste, o soneto em Lichinga. As moscas sobre as pautas e as mãos sobre os joelhos. A luz púrpura sobre a costa espanhola, o derby vencido a vermelho. Acima de tudo as músicas escondidas, as que se perdem no tempo ou envergonham o gosto. A magia das vias de leite, os dentes partidos em metamorfose perfeita. Duas mãos que se tocam com força [abaixo a brandura], numa coragem transmissível, numa robustez de vitória. O agradecimento aos de baixo, o cabelo desordenado, a barba por fazer. Os calos da inteligência, as admissões do dano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A negação total do arrependimento, como num brinde a todas as cores, às fachadas já cortadas. O credo na mudança caduca, apenas as árvores morrem de pé. &lt;br /&gt;E o cheiro da terra nas mãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114744766263567929?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114744766263567929/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114744766263567929' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114744766263567929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114744766263567929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/05/o-vermelho-glorioso.html' title='O Vermelho Glorioso'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114714236532926934</id><published>2006-05-09T03:38:00.000+01:00</published><updated>2006-05-09T03:39:25.340+01:00</updated><title type='text'>A Paragem</title><content type='html'>A ele lhe devia o espaço morto, a privacidade de uma dia de Átilas e de Bledas. Queria talvez que fossem dois, que os tiros fossem fortes como a intensidade de uma vida, que as magias se fizessem fora das cartas ou dos relógios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os autocarros passavam, como sempre, pela mesma zona e a mesma hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginava como teria sido, como os pés lhe seriam hoje mais fortes, como a terra seria diferente ou talvez nem houvesse terra. Sentia-se regressar quando pensava assim. Sentia e ouvia arcos voadores e experiências magníficas, gelados derretidos pelos objectos novos. Cheirava e tocava em doces maiores, de música suave e muito bem acompanhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças passavam, como sempre, pela mesma zona e a mesma hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia falta de uma promessa distante, de olhos em fuga ou mãos em traição, da insanidade constante ou as ruas subidas. Deixava-se ficar assim, de rosto ao sol e mãos em cruz, perdido nos caprichos do clima, entregue aos desejos do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nuvens passavam, por vezes, pela mesma zona e a mesma hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia da felicidade como de um Olimpo vivido, sabia da vida como um regresso ao passado. Esperava o nada como quem espera o tudo, sabia de cor cada passagem de nota ou até de acorde, distinguia cada bemol de um sustenido. Respirava como um dom de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Guardo tudo o que me deixaste até nunca mais apareceres, Caco.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As frases passavam, como sempre, pela mesma zona e a mesma hora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114714236532926934?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114714236532926934/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114714236532926934' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114714236532926934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114714236532926934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/05/paragem.html' title='A Paragem'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114683022319982937</id><published>2006-05-05T12:42:00.000+01:00</published><updated>2006-05-05T12:57:03.210+01:00</updated><title type='text'>Os Dedos Sujos</title><content type='html'>Se o tempo não chegar eu não serei nada. Se a tinta não escorrer ser-se-à a música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas tu amas quem não deves, pintas o que se apaga.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as chuvas crescerem até aos pés direitos, se os quadros se absorverem nas cores, se todas as letras esperarem, se as mães não o forem cedo demais, se as camas não se perderem. Então será certo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas tu esqueces-te tanto. Tu magoas e magoas-te, tu escutas demais, falas tão pouco do que deves ou devias.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico acordado tantas horas, vejo o primeiro raio como as mãos trémulas de um amor que partiu ou se partiu. Eu sinto o brilho que os pequenos não vêem, eu gasto todos os lençóis que qualquer homem alguma vez tenha criado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas eu queria tanto que fosses certo, que acertasses pelo menos, que ninguém tivesse que zangar-se ou desiludir-se de ti. Queria olhar-te com carinho e tanto orgulho, não ter de passar-te as mãos na parede rugosa. Eu queria tanto que fosses certo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as formas se esgotarem ou os tubos acabarem, se os recortes ou os actos se perderem, se os buracos já não forem, então prometo que me esqueço de tudo. Que deixo de confirmar as tuas suspeitas ou atalhos, que páro todas as colagens e derrapagens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu amo-te muito.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez um dia, depois das cores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114683022319982937?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114683022319982937/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114683022319982937' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114683022319982937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114683022319982937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/05/os-dedos-sujos.html' title='Os Dedos Sujos'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114616787786905875</id><published>2006-04-27T20:53:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T21:00:23.186+01:00</updated><title type='text'>Atenção ou As Marchas do Fantástico</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/podia2.2.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/podia2.2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114616787786905875?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114616787786905875/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114616787786905875' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114616787786905875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114616787786905875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/ateno-ou-as-marchas-do-fantstico.html' title='Atenção ou As Marchas do Fantástico'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114609555110147408</id><published>2006-04-27T00:47:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T00:52:31.116+01:00</updated><title type='text'>Traição pelos Deuses</title><content type='html'>&lt;em&gt;[a todos os que tentaram mas não puderam]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredita num deus cheio de mãos, pleno de movimentos interessantes, embora desconexos e confusos. Acredita na procura e no desejo do encontro, nas linhas tortas que se fazem rectas ao fim de um tempo investido. Sabe o eterno, o que muda e desmuda e cruza e volta atrás. Mas acredita sempre no regresso e na certeza. &lt;br /&gt;Reza em lugares abertos ou buracos fundos, em silêncios de paz que o farão mais. Acredita em todas as músicas e orações, sente-se mais e menos e mais, um filho pequeno nos braços de uma força, o olhar dos outros cabe-lhe na palma do coração. Em casa. Sente-se em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fora da igreja ou da caverna. Sabe o Bem, sabe o que deve fazer e quem deve escutar. Sabe cada conta como cada dedo da mão.&lt;em&gt; Devo rezar, devo rezar. Devo ficar e nunca partir nada. &lt;/em&gt;Cheira os dedos e tudo lhe trás as azeitonas, não sabe porquê, talvez a cidade esteja carregada de oliveiras. &lt;br /&gt;Com coragem inspira. E respira de novo. Agora vai ser com tanta força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autocarro que passa, as árvores que caem, o granizo que parte cabeças, as gripes que perturbam. O homem que pede, o caminho que é longo, as castanholas que se batem. O mar que toca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As luzes fazem-se mais fortes, piscam com a intensidade maluca de um pecado adormecido. &lt;em&gt;Não posso ver, não quero ver.&lt;/em&gt; Para cima e para baixo, como numa dança da bailarina de néon, como na estrada secundária que une duas cidades. &lt;em&gt;Não sou e não estou.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais depressa que tudo, que qualquer maratona sobre pontes, que qualquer puxão que rasga camisas de quadrados, que qualquer oração em Marte, que qualquer toque de sexo e não de amor. Mais depressa que qualquer fuga.&lt;br /&gt;Chega assim o segundo homem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Importava-se de ajudar-me? Eu sei que fiz qualquer coisa mal, que enterrei a última peça de forma errada, que por isso agora a caixa pesa, que por vezes ela deixa farpas onde todos se picam. Mas importava-se de ajudar-me? Preciso de mover este objecto de sítio. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha para um lado e para outro, as luzes cada vez mais fortes, todos os outros por trás, com tudo na mão, com objectos de fé e cebolas, com facas afiadas e a dor dos dois gumes. O sangue no chão, a pingar a solidão deste transeunte que em nada lhe parece estranho, podia até jurar tê-lo visto um dia numa mesma casa que frequentou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não roubo o seu tempo. Só lhe peço este minuto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta a olhar. Não o sabe olhar nos olhos. Levanta-se para o chão. Levanta-se e parte. Olha para trás como quem diz que entende, só não pode. Os olhos do homem já não os encontra. Só o seu braço permanece. E em volta deste uma fita grossa, de pano azul, muito velho e muito sujo, como uma ligadura que envolve a alma, como um olhar perdido no pó. &lt;br /&gt;Sem saber porquê passa a ver ali uma caixa fechada, velha, um poema dos antigos – um baú de acento perdido. E lembra-se assim de o pedir tantas vezes. E lembra-se assim que o deixou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, todos os deuses se juntarão, como numa festa de união, como num banquete quente. Um dia, todos admitirão seus erros. Como numa canção de fé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114609555110147408?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114609555110147408/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114609555110147408' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114609555110147408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114609555110147408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/traio-pelos-deuses.html' title='Traição pelos Deuses'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114558982833115067</id><published>2006-04-21T04:20:00.000+01:00</published><updated>2006-04-21T04:35:41.156+01:00</updated><title type='text'>O Amor em 2021</title><content type='html'>- Tu podias ser as minhas asas, sabias?&lt;br /&gt;- Eu podia era ficar quieto, em casa, ao piano. A tomar conta dos esquilos que ainda aparecem quando olho.&lt;br /&gt;- Não, mas tu podias ser fora dos animais. Tu podias dar de beber ou de comer, tu podias ser fé.&lt;br /&gt;- Eu gosto de ficar dentro de uma larga caixa, eu gosto de ser homem e de comer dos pratos. Eu gosto do tempo que faz lá fora.&lt;br /&gt;- Tu és o homem da minha vida.&lt;br /&gt;- Eu entendo o que dizes, sei cada força melhor que a ração. Sei os teus gestos como a ternura que um dia entrou pela porta de trás, sei o teu cabelo que cai como os vulcões que um dia voaram no Danúbio. Sei os teus olhos como as maçãs de um dia quente, as tuas mãos como o algodão que me passavam quando estava febril. Sei de ti.&lt;br /&gt;- Tu podias tornar a vir comigo.&lt;br /&gt;- Eu gosto de ficar, gosto que apareças mesmo quando me dói, gosto de ouvir o que dizem os outros a respeito do tempo. Eu gosto do tempo quando ele aqui não existe. &lt;br /&gt;- Tu podias escutar com mais atenção, podias saber a ternura como tudo o que move. &lt;br /&gt;- Eu gosto do calor. Gosto do teu corpo cansado ao som dos violoncelos, gosto de saber-te em salas e mais salas e mais salas. &lt;br /&gt;- Tu podias acreditar no fogo.&lt;br /&gt;- Eu gosto que subas. Gosto de dizer-te não, gosto de olhar com atenção a água a escorrer-te até aos dedos, gosto dos teus olhos a mudar de cor, gosto da tua atenção. Eu gosto da loucura que cresce com os girassóis. &lt;br /&gt;- Tu podias ser vento. Podias ser cadeira onde me sento, ser motor violento e brando, ser a saída de emergência em cada acesso.&lt;br /&gt;- Eu gosto do piano. Gosto do silêncio das pancadas ocas, de ficar a olhar-me as mãos quando o dia ainda nem nasceu, de receber o primeiro raio como a benção das primeiras chuvas. Eu gosto tanto de sentir. &lt;br /&gt;- Tu podias acreditar, tu podias deixar. &lt;br /&gt;- Eu gosto da voz rouca do homem que passa a apregoar concertos, gosto das novidades que a alpista espalhada pode trazer. Gosto das surpresas do vento. De olhar com atenção os que não caem, de mudar de roupa tantas vezes num só dia tão curto, de me mudar para um lado e para o outro de uma mesma sala. &lt;br /&gt;- Tu podias estar no papel central, ser a luz onde ela incide, ser o resto do que fica. Tu podias ser meu pai, minha mãe, meu irmão e minha salvação. Tu podias ser Deus comigo.&lt;br /&gt;- Eu estou sereno quando a lua chega grande, quando as noites aquecem e a solidão é um prato frio e uma colher tão larga. Gosto de me lembrar de ti e de saber que me amarás até ao fim dos teus dias. &lt;br /&gt;- Tu podias, meu amor, ser o meu amor de todos os dias. Ser o de que todos falam abertamente, ser os carros velozes numa ida ao mar. Ser o corpo a mais na minha mão pequena, sempre em forma de ti e à espera de ti.&lt;br /&gt;- Eu gosto da minha família. Eu escolhi o meu caminho, há tantos anos atrás. Escolhi a serenidade de um história feita, os muros seguros de um afecto estável. A palavra ternura, meu amor, guardei-a eternamente só para ti. Eu escolhi ter medo de ti para sempre, escolhi esperar-te sempre para poder mandar-te embora com pavor. Escolhi que ninguém se lembrasse de nós em tempo algum, escolhi que às borrachas fosse dado o uso supremo. Escolhi os teus olhos cansados como tábua de salvação, escolhi o fim da vida como o princípio de um entendimento. &lt;br /&gt;- Tu podias voltar atrás. &lt;br /&gt;- Eu escolhi a paz. &lt;br /&gt;- Tu, um dia, talvez mais tarde, podias lembrar-te de nós com o coração que apagaste. Podias lembrar-te do sonho e da verdade, da primeira vez e da segunda, do objecto divino que eu te fiz tantos. O mesmo que eu levava no bolso e que tu me deste primeiro. Podias saber que a vida não se engana, que os homens é que dividem estradas. Tu podias voltar a saber como o meu coração quase rebenta quando te olha, como eu tentei por tantos anos a distância do fogo. Tu podias esquecer-te de como eu te amo. &lt;br /&gt;- Eu sei como tu rebentas. Eu sei a nossa ternura.&lt;br /&gt;- Tu podias vir.&lt;br /&gt;- Tu podias voltar, sempre neste mesmo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abraço&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me largues.&lt;br /&gt;- Não me largues.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114558982833115067?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114558982833115067/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114558982833115067' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114558982833115067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114558982833115067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/o-amor-em-2021.html' title='O Amor em 2021'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114554982306469957</id><published>2006-04-20T17:15:00.000+01:00</published><updated>2006-04-20T17:17:03.076+01:00</updated><title type='text'>Mentira</title><content type='html'>É o fim do cigarro adormecido. &lt;br /&gt;É o a partir de hoje o recomeço, são as derrotas da justiça, os passeios abandonados. É a vontade da doença ou de qualquer coisa mais forte que os sentidos. &lt;br /&gt;Nada se perde, tudo se aponta em muros tão curtos, em saias tão sonhadoras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meio da noite o susto do sonho do abraço. &lt;br /&gt;Porque será que o orgão-músculo se escorre? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho medo. Não tenho medo. Não tenho medo. Não tenho medo. Não tenho medo nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cidades amam o teatro, assim como os monstros amam os pequenos, assim como os altifalantes amam o arame farpado. &lt;br /&gt;E já chega, já chega de vontade, já chega do outro do perdido, já chega da água. Chega tudo porque tudo é compatível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114554982306469957?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114554982306469957/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114554982306469957' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114554982306469957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114554982306469957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/mentira.html' title='Mentira'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114532621584147744</id><published>2006-04-18T03:08:00.000+01:00</published><updated>2006-04-18T03:10:15.856+01:00</updated><title type='text'>A Revolta do Amor Incontaminado</title><content type='html'>Foi assim, meu amor, como se a chuva caísse e mandasse parar o pó. Como se eu nunca tivesse tentado nada, nem ir para África sequer. Como se nada viesse na nossa direcção, como se o primeiro beijo não fosse susto e cabeça baixa e abraço e amanhã abraças-me de novo porque nem assim eu fugirei. Como se não te tivesse visto no dia seguinte, assim, de olhos plenos e certezas, e a toalha no meu corpo, apertada como um escudo. Como se todo o medo não tivesse ao mesmo tempo caído ao chão e começado ali, naquele quarto de cores claras. Como se ninguém percebesse, ninguém suspeitasse. E até como se no futuro não confiássemos, porque a questão nunca se pôs de frente.  Como se não soubesse que te tocaria assim, como se não soubesse desde o terceiro dia mas o terceiro dia veio exactamente um ano mais tarde. E como se tu não me amasses. Como se fosse possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim, amor. Foi assim por tanto tempo depois, em noites de chuva e casas de Verão. Em carros chegados para o lado, em afastamentos gerais de um mundo que agora dizes saber que odeio. Foi assim a vergonha, foi assim o princípio do conhecimento de todas as coisas, foi assim a solidão que se derretia em paredes de remorso e injustiça. Foram assim as estradas corridas em lágrimas de gritos, em pontos de interrogação a esmagarem-se contra o vidro. E foi sempre assim a tua voz de conforto, o outro lado que se transformava em defesa, foi sempre a promessa de um entendimento, foi sempre a mão maior que a linha da ponte onde uma tarde fizemos amor cheio de cheiros. E hoje são as frases gastas de um filme que já toda a humanidade viu, são textos decorados pelos outros, são gritos declamados pelos que julgam saber porque quando se sabe um sabem-se todos. São os pontos de interrogação a encolherem com a roupa e com a chuva, não em esclarecimentos divinos mas em redenções de tempo. São planos perfeitos em sete segundos de uma hora, são decisões de vida ou refúgios na loucura declarada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se o tempo.&lt;br /&gt;Como se existisse.&lt;br /&gt;Como se os pianos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim, o amor escrito em todas as paredes de uma cidade adormecida, de uma religião vencida, de um orgulho magoado. Foram quatro olhos juntos em silêncios de respiração funda, foram eu amo-te, eu amo-te, eu amo-te tanto. Que não posso. Foi o sorriso mais fundo de uma vida inteira de rugas antecipadas, foi um tecto escancarado para um céu todo verde, foi uma casa proibida por todos e ainda assim um arroz cozinhado pela mão da ternura. Era um pano branco todo manchado pelo chocolate, era um nó no guardanapo como marca de posse. Eram corações tão velhos a despertar para a novidade da inocência. O medo e a vontade de ir longe demais, a mistura perfeita para um dia resultar a admirável explosão. E as paredes todas sujas, o sangue a dor e o amor numa dança de perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é assim. O amor afogado na dor, a traição sentida no diário, os outros que não mordem mas ladram, porque ainda te protegem. A polícia que se contratará um dia, porque o carro continua habituado a caminhar para a serenidade, o desespero que se auto-inflige, as letras que se pintam, os bons dias que se dão com toda a ternura que o mundo ainda consegue suportar.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar não pode pesar mais que isto.&lt;br /&gt;Mas pode sempre, os poços chegam sem aviso. A turbulência dá sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é assim. Assim há tempo demais, mas Deus não faz puzzles para os tornar a desfazer, a chuva não te cai na cara em tardes de Barcelona, o sol não te aquece a barriga em manhãs de praia, esse Deus não põe outro, assim, ali, a ver tudo isto como se Picasso nunca tivesse existido, nem Pollock, nem a música, nem as ventoinhas de energia eólica, não coloca um filho seu a questionar toda a beleza que cresce das mãos dos homens porque ali finalmente viu o Belo, o Bom e o Bonito. O perfeito. É tudo matematicamente impossível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é assim, e a loucura não se sobreporá a nada, muito menos ao Amor. A obsessão não existe, é garantido. Os loucos não são outros, não são fora. Esses loucos, meu amor, são a certeza dos enganos. Desse teu deus que faz montanhas e as sopra, que faz contas e depois é formado em História ou em Letras. E no que tu me fizeste acreditar. No que tu me fizeste crer e depois querer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As curvas endireitar-se-ão.&lt;br /&gt;As máquinas dispararão sozinhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou voltar a ensinar-te.&lt;br /&gt;Vais aprender a comer sushi e a amadurecer paredes. &lt;br /&gt;Meu Amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114532621584147744?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114532621584147744/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114532621584147744' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114532621584147744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114532621584147744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/revolta-do-amor-incontaminado.html' title='A Revolta do Amor Incontaminado'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114500894072055513</id><published>2006-04-14T11:00:00.000+01:00</published><updated>2006-04-14T11:02:20.740+01:00</updated><title type='text'>Os Rasgos de Chão</title><content type='html'>&lt;em&gt;[a Samuel Beckett, cem anos e um dia depois]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás?&lt;br /&gt;- Claro que.&lt;br /&gt;- Mas estás?&lt;br /&gt;- Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou, deixo de ser teu pai, tua mãe ou tua mão. Vou eu com o volante, vou eu sem a dor, vou eu para sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ficas?&lt;br /&gt;- Sempre.&lt;br /&gt;As frases foram claramente minhas, meu irmão. As frases nunca ninguém me as deu, nunca ninguém me roubou sequer. Vou ser como eles, os que Samuel fez, os que esperavam e nunca gritavam. Por vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas então promete que ficas. &lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje distraí-me. Hoje não levei toalha para depois da água, hoje as gotas teimaram em correr até mais longe, em não ser norte nem sul nem um ponto intermédio.&lt;br /&gt;- Claro, estou a ouvir-te.&lt;br /&gt;E subi até onde não se deve, um pouco mais abaixo, onde o clima é húmido e escuro. Mas é bom. Muito bom.&lt;br /&gt;- Sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora vou. Não te importas.&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Então vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até já. &lt;br /&gt;- Adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114500894072055513?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114500894072055513/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114500894072055513' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114500894072055513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114500894072055513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/os-rasgos-de-cho.html' title='Os Rasgos de Chão'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114483665386978454</id><published>2006-04-12T11:06:00.000+01:00</published><updated>2006-04-12T11:10:53.900+01:00</updated><title type='text'>fim dos Jogos</title><content type='html'>Quando se gosta que o outro desapareça, porque só assim existe. Quando o mar é forte como os homens, quando se faz força com a barriga para segurar as guitarras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os outros dizem &lt;em&gt;não desistas, tu és grande&lt;/em&gt;.  As paredes que se encontram só te porão no ar, as aranhas que chegarem não trarão mais que a sorte. Serás o Ziggy dos tempos que correm, levarás tudo mais longe que as consequências. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás velho para escolhas, já só esperas as canções. A solidão chegou a cavalgar como um eléctrico à chuva, a levantar a água e o vento, com raios e relâmpagos de luz, com néons coloridos por todos os lados. A avisar o mundo que a tua hora chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se deseja a chegada da manhã do dia seguinte, para que se possa voltar a fumar. Fica mal fumar deitado. Fica mal fumar sem alguém ao lado, sem nada antes ou depois. Fica mal dormir assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entra o piano. Entram as variações. Entram os coros roucos de um homem só. &lt;br /&gt;Entra a disciplina. &lt;br /&gt;Chega agora toda a sabedoria como um relâmpago. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter ido contigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter acreditado mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter aceite tudo como tudo era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As paredes caem por cima do segundo, foi eternamente o segundo, julgava vencer mas sempre se enganou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os coros de novo, as cortinas a rebentar, os quadros a pintarem-se sozinhos, a loucura nas paredes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deixaste marcas em tudo o que era meu. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vais misturar mais nada, personagem principal. Não vais ser mais o outro. Não terás mais nada a não ser fome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114483665386978454?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114483665386978454/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114483665386978454' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114483665386978454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114483665386978454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/fim-dos-jogos.html' title='fim dos Jogos'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114459805265644184</id><published>2006-04-09T16:13:00.000+01:00</published><updated>2006-04-10T02:12:53.096+01:00</updated><title type='text'>a arquitectura da marcenaria</title><content type='html'>&lt;em&gt;[à Inês e ao Tomás]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foi o meu pai que me ensinou.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito. Não podes. Ninguém neste século o sabe, já ninguém se lembra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu prometo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podes?, ouvia ele em som metálico. Diziam-lhe que a madeira tinha morrido há tanto tempo, que a relva já não nascia pela simples mão de um homem com vontade. &lt;em&gt;Mas eu prometo.&lt;/em&gt; Lembrava-se de tudo, lembra-se sempre até morrer. Por vezes diz até que se lembra de nascer, do cheiro a madeira e verde que lhe chegou dentro, naquela primeira hora. Naquela primeira hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo foi crescendo e foi ouvindo mais, foram-lhe dizendo que não, que não era tudo assim, que os prédios se faziam do cimento, que as horas se contavam em conversões. Nunca se sentiu sozinho, sempre soube que havia casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a Casa:&lt;br /&gt;Tubos de madeira a fazerem circular as paredes, um jardim ao meio, o cheiro a Japão e a serradura a flutuar lentamente pelo ar. Como se a calma houvesse sempre e um país não fosse sozinho. Como se o amor fosse líquido e saísse pelas mãos dos pais, em raios verdes de brandura. E a música sempre ao fundo, numa roda que gira e sobre a qual ele dançava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, meu amigo de escola. Garanto-te que já ninguém trabalha em madeira, que o negócio de pensar ficou para trás, que não podes ser filho único de uma geração perdida. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foi a minha mãe que me ensinou.&lt;/em&gt; Sabia a sua mãe como a mulher mais bonita da galáxia, o seu pai com as mãos mais suaves e fortes. O seu rosto como mistura perfeita das artes serenas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu filho.&lt;br /&gt;O meu filho. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz sabe olhar a lua todos os dias. Lembra-se de ouvir a mãe falar sobre o tempo em que esta chegava com a noite, lembra-se do brilho dos seus olhos rasgados quando dizia que nas noites quentes esta vinha maior, numa cor a que o homem não punha nome. Lembra-se do cabelo desalinhado do pai quando consigo se sentava à janela a ouvir o tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o rapaz afirma com coragem:&lt;br /&gt;Acredita tu agora, meu amigo. A madeira ainda existe. Tocar-lhe com cuidado é como trazer ao mundo a paz. E os jardins, esses podem ser feitos com muita calma.&lt;br /&gt;Uma casa pode ter cheiro de vida. E essa é a alternativa escondida que existe. Ao cimento, às horas, à verdade, ao medo e à fuga. Quem me ensinou foi o meu pai. Quem eu senti foi a minha mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114459805265644184?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114459805265644184/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114459805265644184' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114459805265644184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114459805265644184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/arquitectura-da-marcenaria.html' title='a arquitectura da marcenaria'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114428482482307069</id><published>2006-04-06T01:52:00.000+01:00</published><updated>2006-04-06T01:53:44.856+01:00</updated><title type='text'>O Lugar Pintado</title><content type='html'>E pronto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a dança na rua, com um pé no alto e outro depois, com uma escorregadela aqui e outra ali, com reflexos por baixo, na água da chuva que já não vem, no gelo que se fez flores e folhas e cadernos espalhados. &lt;br /&gt;De olhos no alto, para o alto, como num drive in a fixar um épico. &lt;em&gt;Vai correr tudo tão bem.&lt;/em&gt; De braços extremos a rolarem os prédios, de mãos de raparigas inocentes a cruzarem o cérebro. Com a roupa no lugar, espalhada pela cidade e deixada pelos campos. &lt;em&gt;Será que alguém já reparou que o melro é o único pássaro que canta à meia noite, da mesma maneira que os pardais cantam às 6:58 da manhã? São as novas imitações perfeitas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as imagens que se fixam nas paredes, nos vidros, nos retrovisores, nos anúncios, nas mãos que acenam. Todos trazem os baldes de tinta debaixo do braço, arrumam-no ainda de noite à porta de casa, junto ao casaco. Para no dia seguinte, no intervalo de almoço, darem por cumpridas as suas tarefas. Atiram as cores para todos os lados, deixam-nas escorregar com tempo, em todos os lugares e em todos os cantos. Sentam-se com carinho nos bancos espalhados pela cidade e olham. Cada um por si, cada um no tempo permitido pelo Estado. &lt;em&gt;Como eu amo esta cidade.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as harpas correm os dedos, mais longe que os dedos alguma vez conseguiram chegar. Os loucos seguem os dias, os outros esperam compromissos. O céu torna-se verde, não, vermelho, não, verde, não, castanho. Castanho, como a música. Castanho como os choques, castanho como o mar, castanho como todas as camisolas que dão força. Castanho como todos os que foram ou esperaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gostava de ter pelo menos um amigo que gostasse de papas de milho. Gostava de conhecer alguém que tivesse visto as árvores que nascem no Lago Niassa.&lt;/em&gt; E o queixo volta a apontar para cima, como nas grandes esperanças, como num dia em grande, como na vontade de fazer tudo de novo, melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu podia jurar que vi folhas a voar. Mas eu nunca juro, só prometo.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E &lt;br /&gt;mais &lt;br /&gt;um dia &lt;br /&gt;na cidade &lt;br /&gt;dos que &lt;br /&gt;nunca &lt;br /&gt;nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114428482482307069?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114428482482307069/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114428482482307069' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114428482482307069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114428482482307069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/o-lugar-pintado.html' title='O Lugar Pintado'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114420140940091239</id><published>2006-04-05T02:36:00.000+01:00</published><updated>2006-04-05T02:43:29.416+01:00</updated><title type='text'>As Formas do Vermelho em Nova Iorque</title><content type='html'>Porque será que te desencontro sempre? Que nos cruzamos e descruzamos em linhas de fotografias.&lt;br /&gt;Porque será que as teclas batem menos certo nos objectivos e objectos que o dia te pede?&lt;br /&gt;Porque será que a terra se esconde do medo, afundada em escuros de capuccinos ou barras de flexões de braços?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não me perguntes nada,&lt;br /&gt;Não te respondo nada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque será que vais e vens e vais e vens e voltas?&lt;br /&gt;Porque será que nem te amo mas te procuro sempre, como nas corridas de autocarros que vi no planeta da neve?&lt;br /&gt;Porque será que não és, mas as decisões são sempre e por isso quase te espero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114420140940091239?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114420140940091239/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114420140940091239' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114420140940091239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114420140940091239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/as-formas-do-vermelho-em-nova-iorque.html' title='As Formas do Vermelho em Nova Iorque'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114411696637330141</id><published>2006-04-04T03:09:00.000+01:00</published><updated>2006-04-04T03:16:06.373+01:00</updated><title type='text'>Dois - do outro lado existe sempre o reflexo</title><content type='html'>Se todos os dias se gastassem, então nada estaria no bolso. Nada de papéis velhos ou esquemas amachucados. Nada de emissões em diferido ou cassetes gravadas. &lt;br /&gt;Se todos os dias se gastassem, o amanhã seria inútil. A certeza do fim seguinte inundaria todas as torres de todos os meses. &lt;br /&gt;Se todos os dias se desejasse o mesmo, se os sustos não chegassem sem aviso, se as previsões se confirmassem no médico. Se realmente as feridas fossem verdes e os chapéus vermelhos. Se tudo fosse como fosse. Então tu não existirias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114411696637330141?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114411696637330141/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114411696637330141' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114411696637330141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114411696637330141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/dois-do-outro-lado-existe-sempre-o.html' title='Dois - do outro lado existe sempre o reflexo'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114402775440424804</id><published>2006-04-03T02:24:00.000+01:00</published><updated>2006-04-04T02:56:26.153+01:00</updated><title type='text'>Parentesis III - da Coragem e do Amor. Porque até as letras toca</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/sem%20t%3F%3Ftulo2.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/sem%20t%3F%3Ftulo2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114402775440424804?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114402775440424804/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114402775440424804' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114402775440424804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114402775440424804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/parentesis-iii-da-coragem-e-do-amor.html' title='Parentesis III - da Coragem e do Amor. Porque até as letras toca'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114391582730929966</id><published>2006-04-01T17:41:00.001+01:00</published><updated>2006-04-02T02:28:41.180+01:00</updated><title type='text'>O Garimpeiro - um negócio da Saudade</title><content type='html'>&lt;em&gt;Não fui mais que homem de fé. Não quis pisar pernas de ninguém, não pude caminhar até mais longe. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segura a peneira com vontade, mas uma vontade serena de domingo à tarde. Aproveita o sol da hora certa para poder ver melhor. Passado tanto tempo, ainda se comove com o brilho que o astro pode dar às pedras. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como pode o maior reflectir-se no mais pequeno? Mais que isso, como pode o pequeno valer tanto? Porque vêm eles de tão longe para agarrar tão pouco, porque será que vêm mas não ficam, porque mantêm o brilho escuro no olhar?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanta os olhos da água e das mãos. Sobe a cabeça como quem espreita por cima do chapéu do outro. O céu recolhe e cerca tudo, o trabalho acaba assim, quente e louco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não pago. Não vou pagar o que querem nem como querem. Não vou e fico. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa a mão pelo pau lascado no seu colo, deixa os dedos entrar como as formigas entram nos buracos, descoordenados mas atentos. De castanho escuro a castanho claro, de castanho claro a verde. &lt;em&gt;Verde como tudo o que fica. Verde como cada poder da Natureza.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, como verdades definitivas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nada é mais trágico que o tremer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A potência sente-se pelo olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O peso sabe-se pelo apertar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se atirar ao ar, o mundo perde.&lt;br /&gt;Se atirar ao ar o mundo perde.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta a rodar a pedra na mão, entre linhas de vida e de morte. Procura restos entre as unhas e os dedos, não quer que nada fuja, nada se perde e tudo se aproveita.&lt;br /&gt;Sente-se velho em rugas de calças, alinhadas pela água e pela terra. &lt;em&gt;Será melhor na cidade? Fui melhor?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a água não se parte nada, entre as sombras não se sente medo. Nunca, mas nunca, o vento está frio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114391582730929966?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114391582730929966/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114391582730929966' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114391582730929966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114391582730929966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/04/o-garimpeiro-um-negcio-da-saudade.html' title='O Garimpeiro - um negócio da Saudade'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114377628102508865</id><published>2006-03-31T03:25:00.000+01:00</published><updated>2006-03-31T22:39:22.483+01:00</updated><title type='text'>O Murro e O Fim</title><content type='html'>&lt;em&gt;[à Sofia, à Marta, à Mafalda, à prima Maria e ao Amigo doutor, por um ano que termina e um Projecto que finalmente parece renascer]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, porque foram os dias que passaram com força demais e teimaram em festejar-se, porque um dia se cai e se pensa que afinal talvez a ternura tenha força suprema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque se tem instintos estranhos, daqueles recheados de caminhos apontados, de estradas ligadas ao piloto automático. Porque é muito estranho, quando se sabe, se sabe mesmo. Para onde ir e em que porta entrar. Antes disso que matrícula identificar e para que vidro espreitar.&lt;br /&gt;Sem ah os dias continuam a passar, agora melhor, muito melhor. Caem os mundos que devem cair e ficam aqueles que sempre foram. Cai tudo ao som de uma batida seca, de uma mão pesada e coordenada, que veio a voar lá bem de trás, de muitos meses atrás. Cai o que estava no chão e levanta-se a força das viagens, da coragem, dos desenhos, das fotografias quentes, das mãos no volante. E o que se sente é:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corre-se com força sem pensar no que fica, avança-se sem a mão na caixa, chega-se a uma multidão em fúria e a um eléctrico perdido sem trilho. Ouve-se o primeiro conselho depois de renascer - &lt;em&gt;você fuja, que eles vêm atrás de si&lt;/em&gt; - segue-se com coragem e vantagem. Com muita vantagem.   &lt;br /&gt;Parece que se ouve a banda maravilha cantar &lt;em&gt;It's Getting Better All The Time&lt;/em&gt;, espera-se a entrada da polícia e começa-se um mundo de fantasia. Porque sempre nos disseram que devíamos entrar em palco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue-se a estrada que parece renovar-se a cada placa, a cada risco, a cada pedra. Sente-se o carro arder como em outros sons onde somos supersónicos e raios farenheit, satélites fora de controlo e bombas atómicas prestes a explodir.&lt;em&gt; Don't Stop Me Now&lt;/em&gt;, as guitarras espalhadas, um ritmo alucinante e novo. Ninguém pára, ninguém pára. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois um abraço forte. &lt;br /&gt;E depois um abraço forte. A respiração calma e as mãos do &lt;em&gt;estou&lt;/em&gt;. E o estou que está sempre, apesar dos dias, apesar dos gritos, apesar do estranho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                    &lt;em&gt;mudança de banda sonora&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta-se a casa. Toca-se a maçaneta como quem toca piano, roda-se a chave como se roda uma colher que mexe um bolo. Entra-se no cheiro do sempre, do eterno real, do devir aniquilado. Não se acendem luzes e deixa-se ficar. Olha-se a janela e quase se vê o dia nascer. Porque agora os dias nascem mesmo, tem-se a certeza do ritmo das coisas. Finalmente sabe-se a falibilidade deste projecto que nos é oferecido ao começar. E finalmente se sorri. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanta-se o copo com ternura, sobe-se a mão com vontade. Entende-se que foi loucura a permanência no nada, a devoção ao ser menor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que se é mais quando, apesar de toda a loucura, apesar de todo o medo, apesar de toda a dor - nunca se levantou uma mão ao outro. Fez-se tudo sem passar a barreira. &lt;br /&gt;Afinal, meus amigos, afinal. As mesas viraram e o boxeur passou a vendedor de gelados, o Sereno. Descuidou-se e apanhou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vence quem não tem medo. Vence quem sabe respirar todos os ares.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114377628102508865?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114377628102508865/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114377628102508865' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114377628102508865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114377628102508865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/o-murro-e-o-fim.html' title='O Murro e O Fim'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114363475565726519</id><published>2006-03-29T12:20:00.000+01:00</published><updated>2006-03-29T13:19:15.743+01:00</updated><title type='text'>a linha da espera</title><content type='html'>&lt;em&gt;Atrasado mental. Deves ter problemas de fixação.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem medo do escuro, não se importa de passar a mão com calma pela chama da vela, ri-se de piadas fora do tempo à vontade, corta pão com as mãos porque sabe melhor. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se te virasses agora.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não confia nas palavras, diz que os medos se sentem pela respiração, não se afirma revolucinário porque sabe que tudo o que é importante está por dentro. Diz que nunca pegou numa caneta na vida, que o som do lápis é descompassado e por isso reconfortante. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu podia ficar como tu. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não afirma nunca nada como definitivo, diz que os macacos já passaram a homens e os homens já passaram a bestas. Diz que gosta de ser homem. Fuma porque já fez ginástica, escreve porque já foi carpinteiro. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se os pássaros saltassem agora.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se esconde dos dias, muito menos das manhãs. Enche vidros com mãos suadas, faz memórias dos aspectos, toca na estrada como num cavalo. Nos outros como em linhas dispersas. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Podes precisar. Se precisares avisa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem pele definida, parece transparente em tantos dias, parece que arde em tantos outros. Esteve nesta cidade tempo demais, sem medo. Mas parte sempre quando os dedos começam a doer. Quando começa a tocar por demais.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando voltares.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é homem nem é nada, não é mulher nem é tudo. Diz que é filho de um deus menor, que alguém se perdeu em respirações fundas enquanto o fazia, que se lembra, que os heróis existem sempre porque os pais nunca morrem. Gosta da cor, mesmo que sem pigmentos. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Acho que vou tentar esperar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Actor é o que és. Deves ter-te perdido em algum lugar. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114363475565726519?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114363475565726519/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114363475565726519' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114363475565726519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114363475565726519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/linha-da-espera.html' title='a linha da espera'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114351132456417040</id><published>2006-03-28T02:57:00.000+01:00</published><updated>2006-03-28T03:02:04.566+01:00</updated><title type='text'>ritmo americano</title><content type='html'>Deixo a ficção e pergunto-me por ti, pelas tuas viagens e pelas tuas vontades. Pela terra que pisas, a que foi prometida. &lt;br /&gt;Lembro-me de ti a caminho de casa, depois de me perder e antes de chegar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apagarei depois de chegares, depois da tua observação ou do teu tique anónimo. Antes da África Árabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114351132456417040?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114351132456417040/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114351132456417040' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114351132456417040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114351132456417040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/ritmo-americano.html' title='ritmo americano'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114345997046133861</id><published>2006-03-27T11:55:00.000+01:00</published><updated>2006-03-28T02:57:22.056+01:00</updated><title type='text'>explosão</title><content type='html'>Vou descobrir se isto é um jogo, se isto é verde ou intermédio, se devo ou se não devo. &lt;br /&gt;A chuva cai na relva e eu vejo da janela. Se olhar para a frente não vejo mais nada, se espreitar para a esquerda vejo a banda que toca a perfeição, um rock distorcido pelo tempo. O ritmo das pernas a marcar o chão, a enterrar as guitarras e as baterias. Se olhar para a direita vejo o sol. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Vem para dentro, a tua nave deve estar quase a chegar. Digo-te, homem, que das minhas mãos fizeste nascer flores.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta cidade não é minha, não me dá força nem coragem, é sossegada e racional. Este instante é novo, esta confissão de dependência da minha água. Nunca fiz crescer nada, nem um filho. &lt;br /&gt;Admiro a construção urbana. Os paus espetados de pernas para o ar, todos paralelos e brilhantes, os sumos vendidos ao sol, as mãos entrelaçadas como trepadeiras. Lembro-me de estudar botânica e de saber bem o que esta planta fazia ao que subia. &lt;br /&gt;Gosto dos espelhos e dos reflexos apressados que se colam e descolam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vá lá, volta daí, cozinhei as latas que mais gostas. Sinto a tua falta.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perco-me na imagem dos meus olhos no vidro. Adoro vidros. Vejo-os escuros e demasiado juntos às sobrancelhas, vejo-os mais cerrados que o costume. Não os vejo cansados. Vejo sede no vidro. &lt;br /&gt;Cerro o punho com mais força que o normal. Suo mais que habitual. Puxo a mão atrás, com a coragem decidida de um professor arqueólogo, com a outra seguro o bolso, fazendo uma mira em formato de dedo. Será o fim de todos estes princípios, serão as bolas a saltar, de todas as cores, será o sol a levantar-se de novo, serão os autocarros a passar, as bicicletas de pernas para o ar, cheias de asas. Serão as pegadas de elefante a voltar-me ao intelecto, as camisolas rotas e as botas amarelas cheias de terra. Será das seis da manhã às onze da noite, não haverá luz mas será urbano. &lt;br /&gt;Puxa a mão mais atrás ainda. Cerra os olhos um pouco mais, com intensidade antiga, visualizando o alvo ao fundo. O alvo é verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por favor vem para a mesa. Cheira tão bem!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem. Devias cheirar-me as mãos agora. Devias cheirar-me o cérebro. Tu não sabes o que cheira bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roda no pé direito e volta-se para trás. &lt;br /&gt;Fora da janela e a caminho da mesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114345997046133861?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114345997046133861/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114345997046133861' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114345997046133861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114345997046133861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/exploso.html' title='explosão'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114328970721119866</id><published>2006-03-25T11:23:00.000Z</published><updated>2006-03-25T12:45:37.343Z</updated><title type='text'>Boa Noite e o Desvio</title><content type='html'>&lt;em&gt;Eu acho que se eu morresse tu ficavas assim, inerte e serena&lt;/em&gt;, pensou Alo de tubo na boca. &lt;br /&gt;Antes de pegar na pistola tinha-a visto tantas vezes, em tantos lugares que ele sabia existirem. Que julgava saber. &lt;br /&gt;Via-a de pé, encostada à árvore. Via-a em Novembro, a tentar antecipar o sol. Via-a às voltas com o café, rodando a colher como num convite para dançar. Ela esperava sempre que tudo arrefecesse. &lt;em&gt;Só com o meu coração te cansaste de esperar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num instante viu tudo, o momento exacto, a notícia a cada um. O amigo que chora, o amigo que grita, o amigo que bate e não se magoa. O amigo que não entende e que corre, o que pede para repetir, o que se ri porque sabe que é mentira. Porque sabe, porque sabe. &lt;br /&gt;Viu como num filme todo cortado e sobreposto, com banda sonora de sinfonia - um, o outro, o outro, o outro. Só os rostos mal iluminados, só um dia frio numa manhã imprevista. Doía-lhe cada dor, cada mudança de expressão, cada pergunta. Não quis nunca magoar ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num plano isolado, focado, a aproximar lentamente, viu Klari. &lt;br /&gt;Viu o amigo que lhe entrava no quarto, que quis telefonar mas pensou que melhor não. Entrou em silêncio e acordou-a lentamente, com o medo e as lágrimas quase a escorrerem-lhe para cima. Viu Klari a abrir os olhos e a saber, porque afinal ainda sabia sempre, depois de tantos anos. E acreditou logo. Não duvidou nem um segundo, não perguntou como, não. &lt;br /&gt;Viu a mulher que levantava o corpo e saia da cama, ouviu-a dizer &lt;em&gt;está bem&lt;/em&gt;, ouviu-a dizer &lt;em&gt;só sozinha um bocadinho&lt;/em&gt;. Viu o amigo a sair e ela de costas, sentada, a olhar a parede. Viu-a tentar pensar em qualquer coisa, viu-a talvez tentar sentir dor. Viu o seu cérebro vazio, o seu coração seco do frio de tanto tempo. Só &lt;em&gt;egoísta &lt;/em&gt;conseguia pensar. Só no pecado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alo riu-se. Com uma força criativa que não acabava, com um prazer desmedido e uma atenção fora do vulgar. Pela primeira vez teve pena de Klari. Mais vale morrer ao fim da tarde, depois de um dia de tintas, que de manhã, sentado numa cama de madeira escura.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Assim, pela terceira vez, com uma mão a pegar na outra, pousou a arma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114328970721119866?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114328970721119866/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114328970721119866' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114328970721119866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114328970721119866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/boa-noite-e-o-desvio.html' title='Boa Noite e o Desvio'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114302957673520125</id><published>2006-03-22T12:09:00.000Z</published><updated>2006-03-22T12:12:56.756Z</updated><title type='text'>Sobre o Deserto</title><content type='html'>Há sempre espaço para mais um, dentro do helicóptero. É pedido o favor de se agarrar bem, com força animal, como se de desejos primários.&lt;br /&gt;Escute com muita atenção o jazz, um &lt;em&gt;Wang Wang Blues&lt;/em&gt; disfarçado, segure as cordas da pauta, suba e desça o ritmo da insensatez autorizada. Descanse. Não pare de mexer os olhos, deixe a retina exercitar a gelatina já velha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Piano.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levante os pés. Seja duro e correcto consigo próprio, faça justiça à educação que tem dado aos seus membros nestes anos que tem durado. Lamba as mãos do seu colega do lado, numa dança eléctrica, num ritmo descompassado. Olhe da janela. Deixe-se ser humano por três segundos, observe o deserto de tons malucos, cante que o seu coração bate tanto que mal consegue falar, que as preocupações desaparecem. Observe com muita atenção a sua imagem no reflexo do agora avião. Olhos, não se esqueça que o mais importante duma fotografia é sempre ter os olhos focados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cordas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhe para trás e para a frente, mesmo com a dificuldade de locomoção no ar. Jogue poker. Escolha sempre os paus, apesar da cor. Dance mais. Dance sempre. Segure com força a mulher a seu lado, agarre-a por baixo e por completo, como se segurasse o Everest. Feche os olhos, são desnecessários sem vidros na frente. Para um lado, para o outro, para um lado, para o outro, para. Cá, lá. Levante um ombro antes do outro, dê prioridade à mão esquerda com um, dois, um, dois, um, dois, um. Rode. Abra os olhos e fixe-os no ponto gelatinoso paralelo ao seu, encoste a testa, não pare a dança. Um pé depois do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sopros. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ate um corda em volta do pulso, como prova da estadia no ar. Ser-lhe-á fornecida durante o voo. &lt;br /&gt;Agarre a bicicleta e atire-se. Pedale. &lt;br /&gt;Mais um bocadinho e veja as árvores. Veja a água. Imagine-a na torneira, a cair sobre os pés, não seus. Imagine-se de esponja na mão, imagine-o de costas. Imagine o sol vermelho, imagine o pó da janela. Imagine três raios de luz e este último a planar sobre eles. Imagine as pinturas nas paredes, mosaicos repetidos da paciência de outro. Olhe fixamente para o terceiro azulejo que toca o rodapé, a sua lasca a deixar aparecer o branco, as raspas transformadas em areia e espalhadas pelo chão. Lembre-se do seu desejo. &lt;br /&gt;Segure as bordas da banheira com força, agarre bem as mãos da bicicleta. Plane mais um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembre-se da diferença que faz um dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114302957673520125?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114302957673520125/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114302957673520125' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114302957673520125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114302957673520125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/sobre-o-deserto.html' title='Sobre o Deserto'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114259871071056321</id><published>2006-03-17T11:57:00.000Z</published><updated>2006-03-17T12:31:50.753Z</updated><title type='text'>vingança dos perdidos. A Mistura das Cores</title><content type='html'>Os olhos correm na rua à procura de garrafas de chocolate quente, sedentos por um cigarro que se apague ou pouco mais depressa. &lt;em&gt;De repente a chuva cai.&lt;/em&gt; Paksel não se preocupa demais, nunca foi sujeito a críticas, muito menos a redenções. Ansiava trabalhar mais depressa, ser mais que o comum. Mas os cartazes chamavam-no sempre, o facto de poder acariciá-los com os dedos, a mistura da cola com o coração. Os mistérios da cidade. &lt;em&gt;Sou um homem e não um rapaz.&lt;/em&gt; A preparação chega tarde, chega depois da mistura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da lua chegam projectos malucos, alucinações de cerveja. Mas Robo agradece sempre. De mãos nos bolsos e costas voltadas, de saco na mão e pedais nos pés. &lt;em&gt;Falo com Deus à hora que me apetece. Possuo um brasão mais forte que as casas. &lt;/em&gt;Os autocarros passam apressados, nos vidros o reflexo do verde. Todos os seus filhos ficaram para trás. O regresso a casa é sempre escorregadio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esta cidade é minha.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;Pelos canos dos binóculos vê todos os dias o que não quer. Liccu não tem medo de ficar para trás. Está perfeitamente consciente da sua posição, sabe que venceu. Porque um dia ela será velha e o outro não lhe chegará, porque um dia o cansaço do casamento atingirá a casa como um relâmpago vermelho, porque um dia o dois parecer-lhe-à tão pouco. E ele saiu no pico da intensidade. E a memória não se cansa, só se esconde. Não voltará a vê-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela cabeça não lhe passam os seus olhos, já nem sabe onde foi que deixou os dedos do passado. É consciente da sua alegria real, da clareza dos sentimentos. &lt;em&gt;Gargalhada.&lt;/em&gt; Os heróis ficaram para trás, as tentativas de salvação do outro nunca mais a gastarão. &lt;em&gt;Gosto do que este homem me dá. Gosto do futuro.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Klaca não voltará atrás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/frisco2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/frisco2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A clareza de todos os lugares. O esgotar de todos os toques. A pandemia instalada. Os pontos finais nos i's. As razões do recomeço. As ilustrações do tempo. A alegria do hábito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114259871071056321?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114259871071056321/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114259871071056321' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114259871071056321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114259871071056321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/vingana-dos-perdidos-mistura-das-cores.html' title='vingança dos perdidos. A Mistura das Cores'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114227791685920215</id><published>2006-03-13T18:27:00.000Z</published><updated>2006-03-16T10:42:54.653Z</updated><title type='text'>Mona Lisa e os Chapéus da Loucura - com vista sobre a ponte</title><content type='html'>&lt;em&gt;[à Mafalda]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na montanha verde e carregada de humidade, lembras-te?&lt;br /&gt;Flaco lembrava-se tão bem, bem demais, porque se lembrava de tudo o que fazia aquele rapaz, porque cada passo seu era uma página no caderno de mochila. Porque o preocupava tudo, temia os seus saltos mortais e as suas comichões na cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora vou e já venho, dizia Bamoo.&lt;br /&gt;Nunca vinha já, chegava milhões de horas depois, cheio de folhas amarrotadas no bolso, carregado de expressões novas numa cara que não muda. Por vezes entrava de joelhos, já sem forças para passar a porta, só com o dedo pendurado na campainha. Só os olhos deixava ver, só os olhos tremiam e enchiam a sala de dor e desejo. &lt;br /&gt;- Por favor entra, não fiques desse lado, não deixes que o mau tempo te vença, dizia-lhe Flaco. Pegava-lhe por cima e apanhava todos os papéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentavam-se os dois no chão, um nunca se mantinha mais alto que o outro. Algumas vezes ficavam só encostados à parede a fixar um ponto na paralela. Outras vezes mudavam de estratégia e abriam a janela, deixando a grande ponte descoberta. No fim, Bamoo levantava-se com um impulso de &lt;em&gt;até amanhã&lt;/em&gt;, de olhos gratos e gratificantes, com as mãos que já tremiam pouco, que uma vez chegaram até a não tremer. Flaco não podia deixar de pensar em árvores, quando o via de pé. O seu lento regresso a um corpo digno, o levantar arrancado pela vontade que restava, fazia lembrar raizes a ganhar vida. Quase as via desprenderem-se do chão, violentas e fortes. Não podia deixar de sentir orgulho, daqueles tristes mas crédulos, daqueles já antigos mas sempre renovados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos rir-nos disto. Vais olhar para trás com tanta coragem. Vais passar a amar as janelas apenas pela vista que te dão e nunca mais pelas possibilidades. &lt;br /&gt;- Acredito mas não vejo.&lt;br /&gt;- Vais ver&lt;br /&gt;- Vais ver&lt;br /&gt;- Vais ver&lt;br /&gt;- Vais ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora vou e já venho.&lt;br /&gt;Voltava com os bolsos cheios, disposto a entregar tudo de uma só vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INTERRUPÇÃO:&lt;br /&gt;O toque da campainha fê-lo levantar-se mas logo depois voltar ao chão. Flaco tinha os joelhos fracos e pesados. O outro entrou de pé mas assim que o viu prostrou-se. Não queria quebrar regras. Teve tempo apenas de ver a sua sombra na parede, teve tempo apenas de ouvir o tempo dizer &lt;em&gt;fica&lt;/em&gt;. Os papéis que trazia vinham hoje direitos, como saídos de dentro de um livro antigo, estava disposto a entregá-los ali. &lt;br /&gt;Porque afinal não gostava da previsibilidade, levantou-se. Apenas para fechar a janela. Não era dia para correntes de ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riu-se, o último a entrar. Parecia-lhe que nunca tinha deixado de ouvir música, parecia que o vento tinha mudado. Mas sabia que ficaria sentado por mais algum tempo, sempre com o outro ao lado. No meio do silêncio cómodo, apenas soube dizer o que ali tinha aprendido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vais ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114227791685920215?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114227791685920215/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114227791685920215' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114227791685920215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114227791685920215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/mona-lisa-e-os-chapus-da-loucura-com.html' title='Mona Lisa e os Chapéus da Loucura - com vista sobre a ponte'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114211371763498352</id><published>2006-03-11T20:38:00.000Z</published><updated>2006-03-11T21:48:37.653Z</updated><title type='text'>o outro e a tua relva</title><content type='html'>&lt;em&gt;Não são os teus&lt;/em&gt;, dizia ele com carinho. Com a loucura dos braços fechados em copas e as copas em pinhas. Disseram-me todos que devia divertir-me, que devia conhecer, que devia escavar o que gosto e como gosto. &lt;em&gt;Que nada se compara a ti.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem-me sempre que devo seguir, que devo tentar e largar as comparações que derretem. Que derrete. Falavam-me assim, a medo e à loucura. De simplicidade e de tardes em cinemas antigos, de cadeias de comida rápida de deglutição lenta. Dos blues. &lt;em&gt;És o jazz. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não devia ser aqui&lt;/em&gt;, dizia mas não dizia. Onde foi que errei, que copo parti, que jogo risquei. A flor que plantei quando devia ter cortado, e agora vivo sozinho com um jardim magnífico, filmo fogos e queimo mãos. Tudo o que deitei a perder e me senti campeão, os telhados que subi e as lágrimas que gelaram. A imensidão da perda, de mim fora do tempo, sem ti mas quem sou eu. Quem era eu.&lt;br /&gt;Tudo amarelado, raspado pelo tempo. Como se um corta relvas tivesse avariado no exacto momento que foste, como se ninguém o tivesse levantado do chão.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, tão simplesmente, nada se compara a ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114211371763498352?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114211371763498352/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114211371763498352' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114211371763498352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114211371763498352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/o-outro-e-tua-relva.html' title='o outro e a tua relva'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114204446094406479</id><published>2006-03-11T02:21:00.000Z</published><updated>2006-03-11T02:34:20.966Z</updated><title type='text'>escola com vista sobre o oceano / a cor dos outros</title><content type='html'>Verás que o pouco te parecerá tanto, quando um dia deixares os liceus e as pegas de caras. As feiras antigas que te fizeram pequeno.&lt;br /&gt;Não te queixes. Saberás ler os clássicos, um dia. Fora do álcool e das misérias de fumo. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;É ele o homem da minha vida.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não podes ter vários, deves escolher o melhor.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tenho vários, ele incluido. Espero que cresca.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrada. Na festa daquele que não é teu, que nem sequer deste é. Quero clarificar tudo nesta noite, quero chegar aos teus calcanhares e tocar-lhes lentamente, como num jogo de bafos usados. &lt;em&gt;Posso amar-te se me deixar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Juro que o mar era o que mais faltava, que daria saltos de cidade em cidade até chegar à areia, que ninguém morre na praia e que se morrer venceu de qualquer maneira.&lt;br /&gt;Tenho tudo espalhado pelo chão, tudo à tua espera. Só não deixei o meu outro porque tive medo que não chegasses. Guardei-te sempre para um dia de mar. O mar é sempre teu.&lt;br /&gt;Tenho a tua memória como de uma criança feliz, como uma casa de paredes quentes. Abrirei todas as janelas quando a maré subir, deixaremos entrar toda a água em cantos de loucura. &lt;em&gt;A tua voz maior.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tenho a tua eternidade que me chegou em toques de memória, do que foste em pequeno e cheio de luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã espero-te para o almoço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114204446094406479?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114204446094406479/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114204446094406479' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114204446094406479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114204446094406479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/escola-com-vista-sobre-o-oceano-cor.html' title='escola com vista sobre o oceano / a cor dos outros'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114190403106059371</id><published>2006-03-09T10:37:00.000Z</published><updated>2006-03-09T11:33:51.076Z</updated><title type='text'>arrumação urbana</title><content type='html'>Ninguém te derrotará. Foram todos os princípios deste mundo que te fizeram assim, coragem. A atrasar os monstros e os robots, as programações precoces e antecipadas. As máquinas cheias de luzes, quadradas e de cinzentos circulares. &lt;br /&gt;Viste demais, nunca se vê demais, viste o que não devias. Encheste um saco que corre o risco de rebentar porque a serenidade não é músculo, não é estômago. Quase perdeste a cabeça quando o homem da televisão disse que sim, que os países estavam em guerra, todos ou quase todos. E cantaram-te ao ouvido tantas vezes, tu passaste sempre um cartão maior aos discos e ao vinil, acontece-te muito gostares mais da solidão e do vazio. &lt;br /&gt;As portas fecham-se de manhã, pensas que não és o único a fazê-lo àquela hora, mas imaginas sempre se terás sido o único a fazer o que não contas na noite anterior. A maçaneta derrete no exacto instante em que reconsideras as tuas opções.&lt;br /&gt;Na rua passam todas as indiscrições, dentro das caixas de correio se deixam as vergonhas e as relações desiquilibradas. &lt;em&gt;Amanhã vai ser diferente, nunca mais vou ser o que fica e que passa a bola. Amanhã vou jogar mais atrás.&lt;/em&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se alinham em filas de cores alternadas, conforme as necessidades de alimentação. Hoje ganha o roxo. Hoje e mais trinta. &lt;br /&gt;Em breve o trabalho estará realizado, finalizado. Cruzado com tantos outros mas sendo este sempre o mais equilibrado e produtivo. Daqui vês melhor a raça humana, do alto dessa máquina de empilhar factos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cuidado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me poderão substituir. Nunca encontrarão um que o faça melhor. Nunca encontrarão um que o queira fazer.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia entardece cinzento, com manchas de verde e de vermelho coladas no céu. Fuma o menos que pode. Mas o infinito nunca se contraria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114190403106059371?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114190403106059371/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114190403106059371' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114190403106059371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114190403106059371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/arrumao-urbana.html' title='arrumação urbana'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114169276685590405</id><published>2006-03-07T00:38:00.000Z</published><updated>2006-03-07T00:52:46.866Z</updated><title type='text'>mar de vista</title><content type='html'>São aneis nas paredes. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas como? De onde vens, como resistes à tristeza e ao passado?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São cenouras que se cortam.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas a cor, como a entendes?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que conheci foste tu, numa novidade absoluta, como uma primeira vez que não dói, que só passa e que só fica. &lt;em&gt;Precisas de mim agora?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A soma das partes iguala o quadrado dos catetos, as leis da maioria, os jogos dos costumes. Quero tanto ser como tu. &lt;br /&gt;Muito bonito, dizes-me ao ouvido. Quero aprender mais, respirar pelos teus olhos. Ser maior e nunca mais menos. Subir muros e graffitis, tornar a vida dura como num papel de circo. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Amo-te.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O regresso é como a dor; uma antecipação que se afirmou, um desenho que já se fez e já se viu. Janelas que se renovam, neves que não chegam, humidade que se entranha. O antigo que se estranha. &lt;em&gt;Tudo o que conheci foste tu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um agradecimento maior, uma rua mais aberta, uma bicicleta já perdida, um desvario quase esgotado. Uma cidade toda pintada. De cores e de negro, de letras e de curas, de recargas e descargas. De toques teus num vazio absurdo. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não quero que te canses, quero ver tanto como tu. Quero ser como tu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noites claras e expressões de regresso. Milão em Lisboa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114169276685590405?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114169276685590405/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114169276685590405' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114169276685590405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114169276685590405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/mar-de-vista.html' title='mar de vista'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114162118072411818</id><published>2006-03-06T04:30:00.000Z</published><updated>2006-03-06T04:59:40.766Z</updated><title type='text'>nunca um seis passou a um</title><content type='html'>&lt;em&gt;[à Marta, à Carmo, à Beni. obrigada]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive que acordar de noite para me despedir. Porque a cidade me parece mais arma sem se levantar. Tudo se parece mais ao tempo.&lt;br /&gt;Tive de dormir por perto para saber que estavam. Tive de ser menor para poder estar. E tive. &lt;br /&gt;Não conheci nada que fosse perto. Não colei nada que não fosse importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos dos outros que se sujam com o nosso sangue, a dificuldade de ficar quando os sacos estão fechados. As pinturas de guerra e os disfarces. Os cartazes nas paredes - a mulher que o faz sozinha ou os preparativos para o fim. &lt;br /&gt;A sede. A loucura em reflexos de fumo. O cheiro e o arejamento da madrugada. As bolachas trancadas. Todos os cérebros do mundo que ajudam o castanho a escorrer e a sua memória no muro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A janela do tamanho do mundo e as insónias de antecipação. Os exames, as garrafas e os pincéis. Os projectos dentro na noite. O sol que nasce azul em tempos de neve. Os portugueses que fazem jus a si próprios nos corredores de autocarros. Os homens que vendem cor pelas ruas - as mãos que se apertam sem necessidade. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que farei hoje? O que me farão hoje? Como farei hoje?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A senhora lá em cima, dourada e cheia de graça, as bicicletas sem travões, os homens que pedem a igualdade relativa. As filas perto de casa por um pouco de pão. &lt;br /&gt;Os nomes dos outros que são dos outros e as corridas que fazem em cabeças alheias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poemas que todos leram e o medo da inspiração. O caderno que voa de capa escura. A água que se fez branca, as meias que se puseram duas. O sono, meus amigos. O sono de hoje. &lt;br /&gt;A dificuldade sem o múltiplo primeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma história de amor entre deus e o diabo, como camisola cosida a quatro mãos, linha que se puxa ou linha que se faz. Força magistral e o tempo a passar. E os dedos a doer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Imagino o que tirarás daqui, o que tirarás de mim que agora parto tudo sem saber de nada. Continuo a contar-te tudo de tantas viagens.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me tirassem tudo não me tiravam o seis, muito menos o três. Um quarto gigante que se fez sala, bifes que se comeram dentro de camas. Quadros que cairam e cairão até ao calor e aos mosquitos. Os amigos dos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tudo que se ganhou à sombra de um oitenta e três, a música que se alimentou da força dos outros, dos meus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é como andar de mota sem capacete. Muito Simples.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114162118072411818?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114162118072411818/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114162118072411818' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114162118072411818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114162118072411818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/nunca-um-seis-passou-um.html' title='nunca um seis passou a um'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114155712195659071</id><published>2006-03-05T10:39:00.000Z</published><updated>2006-03-05T13:31:24.870Z</updated><title type='text'>quase menos</title><content type='html'>Dentro da caixa que se abre e que se roda, quando os dedos se espalham sobre ela e sobre os teus. Cabe mais outra e mais outra e mais outra. E é como uma cidade escura e desconhecida onde vivemos há muitos anos, como uma ocasião especial no dia seguinte, como a roupa que se acaba porque temos tudo empacotado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capacidade maior que Deus nos deu é sem dúvida o autocontrolo, jurei que nunca mais, que até depois, que talvez antes de nascer de novo. Mas agora vou, levo o lixo e os cartões, as vírgulas erradas e a música riscada.  &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ficas na loja de baixo? Não esperas que feche, não leste os sinais. Amas as ruas com a força de um dragão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já não falas do que devias, do que se espera de ti. As mãos estão todas aí, por cima da tua cabeça, esperando baixar e aterrar, esperando fazer-te festas de condolências e nunca acalmar o teu fogo. Hoje vences pelo som, pelo ritmo, pelo silêncio que ocorre. Pelos gritos afinados. &lt;br /&gt;E é um lugar onde as placas nunca se juntam, onde a terra treme sempre com ligeireza, como as linhas dos batimentos cardíacos. Ansiedade controlada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Gostava de perceber-te, de poder oferecer-te mais que cartas escritas à mão, de conhecer-te mais e melhor até ao infinito. De lembrar-me do que não te lembras e de poder traçar os planos. De adivinhar as marés e de saber exactamente onde tocará a onda no dia seguinte. Traçar hoje a linha na areia e esperar sentado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gostava de casar-me contigo porque me habituei a ti.&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;- Hoje tive medo porque acabou. Tive medo do vazio.&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;- Sou tão apaixonada por ti que tenho mesmo que te deixar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltar é sempre tarde. Os cigarros que se compraram nunca chegam para o caminho. As salas de espera teimam em gastar-se e os olhos em guardar-se. &lt;br /&gt;Este mês chegou tarde. O cálculo divino fez-se finalmente. &lt;br /&gt;Nunca se agradece antecipadamente. Nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114155712195659071?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114155712195659071/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114155712195659071' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114155712195659071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114155712195659071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/quase-menos.html' title='quase menos'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114150804250022993</id><published>2006-03-04T21:15:00.000Z</published><updated>2006-03-04T21:34:02.510Z</updated><title type='text'>farsa</title><content type='html'>Diálogos estranhos com o fumo dos outros. Com o cheiro que sai das mãos, com a nuvem que sai do frio. Mas só Deus sabe o que se faria sem o vapor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;tenho medo do vento. das cruzes e dos olhos. das cadeiras que se sobem quando às mesas não se chegam.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegará o ponto em que todos terão boas ideias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114150804250022993?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114150804250022993/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114150804250022993' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114150804250022993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114150804250022993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/03/farsa.html' title='farsa'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114113270960065292</id><published>2006-02-28T12:06:00.000Z</published><updated>2006-02-28T16:27:18.186Z</updated><title type='text'>aparição em Budapeste</title><content type='html'>O azul que se move nas tuas mãos vai variando de cor em cor. Os olhos que se vão fisgando vão mantendo as janelas abertas para todas as cidades a leste. E os pés em cima das mesas vão marcando o compasso da passagem. E tudo o que precisavas era de mais um dia. Mais um dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As escolhas feitas na idade menor começam a deitar cheiro, as colunas de papel começam a deitar sons perdidos. &lt;br /&gt;Agarro a tua lista de supermercado e compro-te tudo, prometo que não perco, que não me esqueço de nada à chegada, que ponho sempre os vegetais acima do resto. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;O senhor desculpe, importa-se de me indicar o caminho? Podia jurar que vi derreter o tempo aqui bem perto.&lt;br /&gt;A senhora não devia jogar até tão tarde, a cidade não é mais segura como no tempo de Lenine&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua passa por eles como os autocarros pelos velhos, a chuva socorre a neve como em placas de sinalização. As velas ainda ardem, desde todas as quedas. Ainda suportam muros pouco iluminados, ainda se encaixam como metáforas bem jogadas. As masmorras permanecem, símbolos da destruição aparecida. Nas paredes os buracos dos mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ainda precisas de mim?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nunca foste sujo, nunca puseste o pé no escuro, nunca escutaste o som das fardas no desejo. Nunca passaste a barreira. Ansiaste a loucura, a chegada de um toque mais forte que o do jogo. Tiveste medo das palavras estrangeiras. Acima de tudo tiveste medo de te perderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os eléctricos agora passam a horas certas, não fica nada que não seja na memória e nas bolachas de amendoim. A água já chega potável e não pinga no escuro a chamar a loucura. Tu já não chamas ninguém, já perdeste todos e ainda te falta tudo. Lembras-te da ração, das filas incansáveis, do som escuro da explosão, dos tanques azuis e dos lenços brancos. Da bandeira nova e das doações mundiais. E lembras-te de passar a fronteira. Recordas os fornos a lenha com saudade, sabes o seu cheiro como se das mãos de um homem que te passou. Mas és incapaz de olhar um sabonete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desculpe, podia indicar-me o melhor caminho a partir daqui?&lt;br /&gt;A senhora não devia estar aqui. Não devia estar aqui. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114113270960065292?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114113270960065292/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114113270960065292' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114113270960065292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114113270960065292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/apario-em-budapeste.html' title='aparição em Budapeste'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114054599815056984</id><published>2006-02-21T18:15:00.000Z</published><updated>2006-02-21T18:19:58.336Z</updated><title type='text'>wien, neur post</title><content type='html'>Das cidades corridas a olhos vistos. &lt;br /&gt;Dos Panchos sem Cavalo.&lt;br /&gt;Do deus que abandonou o triste. Sem Cleopatra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cisco Kid olhado com carinho, os dedos que passam nas pedras novas sem outros cinco de pára-quedas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A língua renovada. E o esquema verde tao revisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(acentos difíceis em países estrangeiros)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114054599815056984?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114054599815056984/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114054599815056984' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114054599815056984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114054599815056984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/wien-neur-post.html' title='wien, neur post'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114029499446311634</id><published>2006-02-18T19:59:00.000Z</published><updated>2006-02-19T00:32:48.603Z</updated><title type='text'>dos olhos da ternura / dos muros pintados</title><content type='html'>Lembra-te de mim assim. Cheio de tinta e coberto de cola, em cima de montanhas de plástico, subindo bancos corridos em santuários pequenos. Lembra-te de mim. De lata na mão e vento que sai, de pincel atrás da orelha, com comichões de medo. Sem ar nos pulmões e com a tua mão no peito. &lt;br /&gt;Não te esqueças de mim. Por cima das árvores, à porta do teu carro, por trás do meu portão. Em oração de escuta, de joelhos na pedra, à chuva nos eucaliptos. Com as mãos sujas, de coração apertado, de raiva a subir, de bondade a transbordar. Não te esqueças da confusão. &lt;br /&gt;Lembra-te de mim assim. A mistura constante dos anjos e do fogo, a corrida contra o tempo que fica. Do outro lado da linha, o metro que passa e te leva, o telefone que toca e sou de novo. O amor inconsolável, os ouvidos que caem, as pinturas desconformes. Lembra-te das mãos que tremem de manhã, dos nomes que se esquecem porque não escorrem. Dos erros que se fazem porque é fuga.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como pudeste. Como correste. Tinhas mais. Havia mais. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dos bebés que podiam ser, das provas que se podiam dar. Da solidariedade que substitui os medos. Lembra-te dos medos. Das cicatrizes que ficaram do Natal, dos que não viram e não souberam. &lt;br /&gt;Mas lembra-te de mim assim. Com graça em tardes de praia, a subir rochas para te salvar, a fazer frente a touros mesmo sem gostar do campo. Pecador sem orgulho, o respeito a um Deus maior que os livros. O amor à música e a mão que bate insegura em cima do joelho. A saudade do que nunca foi. A vontade da ternura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o mundo ficar sem ti não tenho medo. Se o mundo me perder não serei homem. Onde foi que te puseste, um dia destes prego-te um susto e digo que sou, que voltei, que cresci, que pintei e que escrevi. Que me fiz vez, que passei à frente. Que falo outras línguas e gastei todo o dinheiro em caminhos. Que assumi a tinta da china em frascos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra-te de mim assim. Cheio de medo e de coração velho. Sem cabeça e de linhas cortadas, de emoção assumida até ao fim. Mas não te lembres do fim. Lembra-te só de mim assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra-te de mim pescador. De calças arregaçadas e cabelo rapado, da barba feita por ti e por isso tão grande, de olhos escuros e mão calejadas pelo toque. Lembra-te de mim em África. Sem nada que nos fosse e com todos que nos eram. Ao pôr do sol. Lembra-te de mim a Sul. Sem café porque só bebo água. &lt;br /&gt;Lembra-te de mim nas cartas. Nas fotografias. Na cor azul e no meu carro branco. Lembra-te de mim no mar. Por favor lembra-te de mim no mar. Lembra-te da dor que me deu a fuga eterna, o derreter que foram os dias. Mas lembra-te dos brilhos de olhos curtos em todas as basílicas deste mundo. Lembra-te de mim feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu.&lt;br /&gt;Lembra-te de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114029499446311634?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114029499446311634/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114029499446311634' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114029499446311634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114029499446311634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/dos-olhos-da-ternura-dos-muros.html' title='dos olhos da ternura / dos muros pintados'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114029190901417346</id><published>2006-02-18T19:26:00.000Z</published><updated>2006-02-19T00:24:47.370Z</updated><title type='text'>o Amor nas paredes</title><content type='html'>A memória que tens de mim. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu vi, podia jurar que vi.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Disseram-me que ainda aí estavas.&lt;br /&gt;Disseram-me que me tinhas visto escrito na tua porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já de manhã e ainda no carro,&lt;br /&gt;os números seguros que se esgotam.&lt;br /&gt;As lágrimas que se arranham&lt;br /&gt;os vidros que se passam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória que tens de mim.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eram eles, tenho a certeza. Na cozinha.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Disseram-me que agora eras feliz.&lt;br /&gt;Disseram-me que o teu agora era mais bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vergonha das épocas longe,&lt;br /&gt;a chegada das aves de rio.&lt;br /&gt;Os muros que ficam pintados.&lt;br /&gt;Os deuses perdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foste salvo da tentação&lt;br /&gt;por um diabo que se refugia no escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Pedro foi primeiro rei,&lt;br /&gt;só do duro se podia fazer este mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um santo beijou um pecador.&lt;br /&gt;O santo fugiu.&lt;br /&gt;O pecador permaneceu fiel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114029190901417346?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114029190901417346/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114029190901417346' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114029190901417346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114029190901417346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/o-amor-nas-paredes.html' title='o Amor nas paredes'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-114010525115708275</id><published>2006-02-16T15:17:00.000Z</published><updated>2006-02-16T23:32:06.416Z</updated><title type='text'>king</title><content type='html'>Da polaroid ao instante movido. Dos vídeos trémulos às salas de cheiros estranhos. Dos rolos queimados às provas em branco. Do som da passagem de fotografia ao líquido no qual que mergulha a noite.&lt;br /&gt;Quando o frio insiste em partir vidros e adiar olimpíadas. Quando o som se perde em sopros de vento, em ficções de bicicleta, em cartazes virados ao contrário. &lt;br /&gt;Então a audição. O momento de regresso, a barriga que treme, o palco que se contorce; os pés que se esforçam. &lt;em&gt;&lt;em&gt;Nada substitui o teu fumo.&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi você quem se esforçou na cidade do diabo?&lt;br /&gt;Foi você quem pediu a loucura num pacto leal?&lt;br /&gt;Foi o casaco que lhe marcou a posição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Números atirados em paredes tortas, murros nos dedos em desistências precoces.&lt;br /&gt;E no cinema a vida distraída.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-114010525115708275?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/114010525115708275/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=114010525115708275' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114010525115708275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/114010525115708275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/king.html' title='king'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113995160816678385</id><published>2006-02-14T19:58:00.000Z</published><updated>2006-02-15T01:44:14.366Z</updated><title type='text'>soldadinhos de chumbo</title><content type='html'>&lt;em&gt;[ao meu avô]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa nunca foi muito quente. Mas os dias também nunca foram frios. Dizem que pode morrer-se nos braços dos outros. Mas nós queriamos viver. Sempre no mesmo lugar, na mesma sala, com a mesma porta nas nossas costas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Podemos?&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;O olhar era sempre o mesmo, os olhos diziam tudo. O corpo cansado levantava-se devagar. Mas com vontade. Ele ia sempre na frente, nós eramos dois e mais curtos. Ocupavamos menos espaço. Mas acredito que tivessemos ainda mais vontade. Seguiamo-lo de olhos tão abertos que por vezes o vento do caminho nos fazia chorar. &lt;br /&gt;Era sempre ele quem abria a porta, era sempre ele quem sabia onde estava a caixa. Mas nós já sabiamos tanto. Segunda gaveta a contar de baixo, a contar de nós.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com cuidado. São do tempo do meu avô. Com muito cuidado.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Podemos aqui, avô?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na casa de jantar, sempre na casa de jantar. Com muito cuidado. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na frente iamos agora nós, o passo curto ficava para trás. Eram doze passos pesados, em baixo ouvidos como tambores em tempo de guerra. Generais dos tempos novos.&lt;br /&gt;Com a caixa em baixo do braço a sala parecia ficar mais clara, com as mãos dentro da caixa os dias pareciam maiores. &lt;br /&gt;Nos dois quilómetros de mesa branca estendiamos a formação de batalha. Imponentes na sua idade, os generais de camisas vermelhas antecipavam as lágrimas das crianças pequenas. De batutas e espadas em punho azul, os soldados cortavam o sol. Nas filas traseiras ficavam os amputados do tempo, as meias pernas, os quartos de espada, os chapéus cruzados. Eu, agora eu, deixa-me ser na frente, deixa-me ganhar só mais hoje. Ganhaste ontem, hoje fui eu quem pediu, a vez é toda minha. Ganhaste. &lt;br /&gt;Os tambores rugiam mais alto que o tecto, os cavalos das paredes corriam a galope torto à volta da sala inteira. O carrossel dos perdidos. &lt;br /&gt;Em cima da cadeira conseguia tocar no centro da mesa, arriscava a ganhar posições impensáveis em batalhas de chumbo. No quilómetro oposto ele conseguia ser mais, arriscava o seu batalhão nas curvas da morte, bem junto ao vértice da tábua.&lt;br /&gt;Aços geniais em volta de si próprios, o tinir na madeira do chão diário, sinfonias metálicas e batuques de mãos. O uivar da infância em toques de mestre. Mais deste lado. Mais desse. Agora eu. No chão, mais uma vértebra a ser tratada pelo mestre de toda esta obra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Almoço.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Almoço.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Amanhã? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã chegava sempre, o hoje aliás não existia em tempos de tanto sol. Existiamos todos na mesma sala, com os mesmos aquecedores gigantes em cima dos pés, com o cabelo muito branco de uma e o cabelo muito puxado para trás de outro. Com as pernas frágeis repousadas na cadeira só dele, com as meias bem visíveis à mesma altitude que nós. Com a voz funda e serena, com os olhos que nunca paravam de brilhar, com as mãos que nunca envelheceram - herança dupla recebida por dois irmãos. Com o amor distante e maior, com a sabedoria dos livros pesados. Com os rabiscos feitos dentro de círculos, representantes dignos de famílias antigas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que pode morrer-se nos braços dos outros. Que as manhãs da morte podem ser frias, que as músicas que tocam não podem dar nada, que o sobressalto do toque do telefone pode avisar tudo. Que as orações que se fazem chegam mais longe.&lt;br /&gt;Dizem que pode morrer-se nos braços dos outros. Melhor que isso é saber morrer de braços abertos, para os braços dos filhos, dos netos, da mulher de sempre. Com os sapatos a substituirem o brilho dos olhos - pela primeira vez fechados -, com o calor da dor a trazer a saudade. Mas melhor ainda é saber partir. Deixar soldados e canetas, gravatas e cadeiras. Uma sala vazia mas doze almas cheias. E infinitos dias catorze ao segundo mês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113995160816678385?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113995160816678385/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113995160816678385' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113995160816678385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113995160816678385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/soldadinhos-de-chumbo.html' title='soldadinhos de chumbo'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113952455635898530</id><published>2006-02-09T22:34:00.000Z</published><updated>2006-02-09T22:35:56.370Z</updated><title type='text'>stencil</title><content type='html'>De todas as loucuras do mundo, a tinta sem dúvida a melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113952455635898530?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113952455635898530/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113952455635898530' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113952455635898530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113952455635898530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/stencil.html' title='stencil'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113942706859628833</id><published>2006-02-08T18:56:00.000Z</published><updated>2006-02-08T19:31:10.430Z</updated><title type='text'>la divina</title><content type='html'>Os que chegam. Os que se avançam em toques extremos, como naves que pela timidez aterram em soluços. As pátrias chegadas e as fotografias sem cor. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Faço-lhe as provas de contacto sem pena nem pudor, não lhe enquadro nada mas amanso-lhe tudo.&lt;/em&gt;  &lt;br /&gt;O vidro fosco, o astronauta que de uma só vez o limpa. E mais outra, e mais outra. O outro olha de longe, descansa na mesma sala, partilha o espaço - um pouco mais perto da porta, de pés derretidos e olhos que tremem. A loucura da sensatez.&lt;br /&gt;No barco a mesma oração, a reza de sempre que ensinaram todos e aprenderam alguns. A água que se levanta em curtos raios promíscuos, a memória de filmes gastos avermelhados, a dança constante das entradas nas linhas do cérebro.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É tudo tão espalhado, é tudo tão menor. Seremos sempre humanos e domesticados por outro que não o mesmo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nos andares superiores todos se unem na mesma batalha. De joelhos e pés no chão, de corpo em forma de adoração, raspam as unhas nas tábuas corridas. Atormentam-se em afectos novos; a descoberta do poder sempre foi prova do passageiro. &lt;br /&gt;Objectos na mesa, partilhas escondidas de cheiros espalhados. Máquinas eternas, escovas de pó, discos negros, pautas tortas. O som dos que ficam. &lt;br /&gt;É a ternura. É a solidão não abandonada, o desejo de dormir e não de ficar, a vontade do momento seguinte sem termo de comparação. A negação da tristeza em tardes de luz verde, o vento empilhado em velas queimadas.&lt;br /&gt;Em Paris, a 16 de Setembro de 1977.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113942706859628833?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113942706859628833/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113942706859628833' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113942706859628833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113942706859628833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/la-divina.html' title='la divina'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113922493215129758</id><published>2006-02-06T11:07:00.000Z</published><updated>2006-02-06T11:22:12.336Z</updated><title type='text'>leis</title><content type='html'>Mas foi o tabaco que te descompôs. Foram os dias que te trocaram e as linhas que se apresentaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O latim interiorizou o espírito, Édipo subiu por si próprio a pedestais, nada se pode tornar maior que o som abrasivo das aberturas de portas. Nada é eterno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os eléctricos que molham o sol, as calhas no chão que fazem tropeçar a chuva, os olhos brancos em rapazes escuros fora do vento. É tudo, e tu sabes. Aviões cheios de horas, a agonia da descoberta, a curta luz no lugar de um. Sentado e só de copo, os dedos não curam mas também não param, o céu dos outros e a música que fica. Os barcos, as canas, as bússolas, as velas e o drama. O capitão. &lt;br /&gt;Jardim que se cansou, varandas que se ganham, o mar que ataca sempre. A ciência e o progresso em cidades todas trocadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113922493215129758?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113922493215129758/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113922493215129758' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113922493215129758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113922493215129758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/leis.html' title='leis'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113910328310697905</id><published>2006-02-05T01:33:00.000Z</published><updated>2006-02-05T01:34:43.116Z</updated><title type='text'>música I</title><content type='html'>Grafismos das minhas mãos não se reflectem em sangues pasmados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113910328310697905?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113910328310697905/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113910328310697905' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113910328310697905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113910328310697905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/msica-i.html' title='música I'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113892022415238157</id><published>2006-02-02T22:29:00.000Z</published><updated>2006-02-02T22:43:44.166Z</updated><title type='text'>da saudade</title><content type='html'>Pela mão. &lt;br /&gt;Abstracções fantásticas nas máquinas dos outros. Sindromas que se colam em garrafas, como rótulos antigos que ainda se raspam com facas. Mas não conheces o negócio dos vinhos. Cruzas e descruzas as ruas do poder, cansas os que correm como medida de vingança. São os tempos de contenção?&lt;br /&gt;Quando o sol se estranha, quando o tempo não é certo, quando os livros se reproduzem, quando os antigos perdem o ritmo. Finalmente nada a esconder e tudo a percorrer. De dedos sozinhos, de esperanças confusas, de montes e de vales e de pedras. Tudo à mesma distância, a velha de sempre. O regresso ao suor assustado, aos músculos conturbados, à magia do passado presente. &lt;br /&gt;Telefone desligado e papéis estilhaçados. Curto circuito, à velocidade menor de um relâmpago, bateria em esquema e ruas cansadas. Abraço, meu amigo. Abraço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situações mexidas e remexidas, mas a dor não é de todos, o fim parece próximo. A melancolia da relatividade. &lt;br /&gt;Cordas partidas em serões já gastos, os olhos na testa que escorre e as misturas de todos os líquidos. As luzes sempre baixas, a casa já esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113892022415238157?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113892022415238157/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113892022415238157' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113892022415238157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113892022415238157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/da-saudade.html' title='da saudade'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113874931873296892</id><published>2006-01-31T23:05:00.000Z</published><updated>2006-01-31T23:15:18.733Z</updated><title type='text'>serenidade</title><content type='html'>Poetas em teatros quentes. Caixas de luz encostadas como jogos.&lt;br /&gt;Pintores de mãos, solidários para com o anterior. A certeza do lusco fusco. &lt;br /&gt;Pequenos vasos de flores embainhadas, curtas feridas de tempos rachados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade que se absorve.&lt;br /&gt;O autoretrato na autodestuição.&lt;br /&gt;Mas a simplicidade dos dias de doze.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113874931873296892?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113874931873296892/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113874931873296892' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113874931873296892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113874931873296892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/02/serenidade.html' title='serenidade'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113864568889686619</id><published>2006-01-30T17:55:00.000Z</published><updated>2006-01-30T18:55:02.493Z</updated><title type='text'>do jazz - aos simples (invertido)</title><content type='html'>Aposto que não aprendi contigo. Que corri tudo e nada quis, porque olhei e vi crescer. &lt;br /&gt;Sabes por onde foste quando a árvore te caiu? Viste o caminho escavado na neve, sem cameras dispostas a fotografar o tempo, viste o carro descompassado, viste o sol a não sair? Não quero parecer distante, nem quero mudar o ponto de estratégia. Mas devias mesmo saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, as tuas letras começam a cansar-me quando não as vejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pacotes deixam de ser os mesmos, aqui dão preferência ao duro e pouco clássico. São os cowboys que fazem escorrer os dias, são os mais bonitos que fazem viajar por dentro da noite. Mas os outros não abrem as condutas. Sim, tu agora, tu não abres as tuas torneiras, trocas os metais pelos ferros, as explosões pela literatura. Começas a crescer quando eu nem te vejo, esticas e perduras quando mentes e te cansas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os desenhos dos mastros, os comentários às paredes, os casinos que resvalam, os acústicos que já marcam, os pianos que se fazem fortes, as almas desfeitas em ar. O sentido que se pede. As peles que se rebentam e as viagens que se turvam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113864568889686619?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113864568889686619/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113864568889686619' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113864568889686619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113864568889686619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/do-jazz-aos-simples-invertido.html' title='do jazz - aos simples (invertido)'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113848205577380471</id><published>2006-01-28T20:59:00.000Z</published><updated>2006-01-28T21:00:55.796Z</updated><title type='text'>fora da cidade</title><content type='html'>A partir daqui, de ontem. Sempre debaixo da mesma pedra, com a mesma mão e o mesmo espaço. Foi assim que foste, que deitaste, que suaste. Naquele movimento ascensor e primitivo; transgressivo, diriam os tiros. No piano com os cotovelos, onde quer que os olhos se caíssem, de um lado, do outro, do outro. Continua a água a escorregar, nas entradas onde o cabelo foge, brilha como um circo. &lt;br /&gt;Na proa do barco como em estados maiores, tempos estendidos em toques menores. As bolas rolam no mar, os chapéus saltam em desordem, os tiques crescem em conhecimento. As sinfonias que se tocam são sempre reflexo dos tempos. &lt;br /&gt;Queria continuar-te, diz. Queria ser diferente, mudar de cor, responde. Queremos tudo igual, escutamos os relatos sem atenção de maior, sopramos e inspiramos com ritmos de raspão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113848205577380471?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113848205577380471/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113848205577380471' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113848205577380471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113848205577380471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/fora-da-cidade.html' title='fora da cidade'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113840231885808743</id><published>2006-01-27T22:46:00.000Z</published><updated>2006-01-27T22:51:58.866Z</updated><title type='text'>sem título</title><content type='html'>Tens as mãos descompostas em água.&lt;br /&gt;Vale a purificação dos porcos numa sexta-feira à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresce o talo do cansaço, &lt;br /&gt;mas quinze não são tantos assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113840231885808743?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113840231885808743/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113840231885808743' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113840231885808743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113840231885808743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/sem-ttulo.html' title='sem título'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113829950558833355</id><published>2006-01-26T18:15:00.000Z</published><updated>2006-01-26T18:18:25.606Z</updated><title type='text'>prova</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/DSC05299.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/DSC05299.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113829950558833355?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113829950558833355/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113829950558833355' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113829950558833355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113829950558833355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/prova.html' title='prova'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113828979392600732</id><published>2006-01-26T14:30:00.000Z</published><updated>2006-01-26T15:41:07.526Z</updated><title type='text'>inundação de asas</title><content type='html'>A cidade a que chamaram do diabo enterra-se em espasmos de água em partes. &lt;br /&gt;Os olhos que correram as telhas curvam-se ao desejo, a corrida começa hoje e acaba nos estados. Não há poluição que valha a estes dedos, às cabeças cobertas, às botas quentes. Aos dias compridos. &lt;br /&gt;Finalmente cai de novo, a loucura desvanece o tempo, os copos levantam-se cheios dela sólida, as varandas quase desabam. Os rapazes não conhecem outra coisa. São caraças, são pistolas, são visões, são plenitudes retornadas. Ombros que não estalam, sensatez que não perdura. &lt;br /&gt;Prometo que me porto bem, prometo que não corro, que as tábuas malhadas dos mundos paralelos não me atraiçoarão, que a literatura não me distrairá. Se os pés estão envolvidos na situação nada se pode fazer de melhor. São os microfones desta neve, os amplificadores dos toques ocos. &lt;br /&gt;Hinos bem calados às pedras, como mãos queimadas entrapadas. Tensões aclamadas pelos supostos fumos que fazem a cúpula, a matéria que resvala hoje teimou em furar buracos.&lt;br /&gt;Os habitantes do fogo gritam sons constantes, os ouvidos estrangeiros emprestam-se, todos nós acolhemos. Porque apreciamos tanto o branco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113828979392600732?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113828979392600732/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113828979392600732' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113828979392600732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113828979392600732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/inundao-de-asas.html' title='inundação de asas'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113806715584969740</id><published>2006-01-24T01:27:00.000Z</published><updated>2006-01-24T11:26:07.183Z</updated><title type='text'>insónia causada</title><content type='html'>Os verdes que empurram os vermelhos e os vermelhos que se espalham em sangue.&lt;br /&gt;As noites que se escorrem em sons, como imaginação teórica que sobe e que desde e que sobe tanto e que pum pá pááá. Já estás. Entre o verde e o vermelho posicionou-se o amarelo, nem se posicionou, meteu-se. Encheu-se do que sabia, mas os amarelos, esses não sabem nem são nada. &lt;br /&gt;Ponham-nos todos em gaiolas, os verdes de um lado, os vermelhos do outro, os amarelos que se vão. Que derretam. &lt;br /&gt;Se os verdes não suportam os fortes, se as linhas são limites impostos, se os braços não se estendem em loucura - que larguem! Porque os vermelhos assumem: precisamos dos verdes. Queremos um segundo de serenidade, queremos a ausência dos sons dentro de ti, queremos sossegar cada medo, cada avante, cada fora, cada teoria, cada leitura e cada balde. Queremos os teus braços.       Nada.        E o teu coração bate tão forte, porque a sua tinta reconhece semelhantes mas a alma que o agarra quer permancer fiel à cor. Os teus olhos reviram-se de loucura, as tuas mãos tremem no desespero, os cabelos ganham cheiro novo. Agonizas porque te dizem que isso é dor, porque te ensinaram tudo tudo e nada fora. E eu sou verde e quero a paz. Tu és vermelho, és um daqueles pontos com quem Deus joga - pelo menos um por cada três quarteirões da cidade. Um dia olha de cima e decide brincar, não quero ser herege mas quero que percebas, move-te de espaço e te chama mais um verde. O verde fica. Tu rejubilas. O verde parte. Tu voltas à curva. Esvaindo-te na própria cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ciclos são viciosos viciados. Porque não recortamos as mesmas folhas de papel de lustre e as colamos umas às outras? Invertamos tudo e que os vermelhos desistam primeiro. Morte aos verdes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113806715584969740?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113806715584969740/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113806715584969740' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113806715584969740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113806715584969740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/insnia-causada.html' title='insónia causada'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113805110768478945</id><published>2006-01-23T21:10:00.000Z</published><updated>2006-01-23T21:20:43.210Z</updated><title type='text'>máscara</title><content type='html'>da cidade do fumo&lt;br /&gt;do caos dos fundos negros&lt;br /&gt;dos ruídos podres&lt;br /&gt;das mãos toscas turvas&lt;br /&gt;da falta dos pedros&lt;br /&gt;da classe do uno&lt;br /&gt;da fuga das cores&lt;br /&gt;da frente das curvas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que não se malentendam algumas observações&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113805110768478945?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113805110768478945/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113805110768478945' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113805110768478945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113805110768478945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/mscara.html' title='máscara'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113797257253030570</id><published>2006-01-22T23:25:00.000Z</published><updated>2006-01-23T11:38:43.010Z</updated><title type='text'>parentesis II - lição - 40 minutos [paragens forçadas à literatura]</title><content type='html'>É preciso que se façam pausas, por vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos que acreditam, mas não podem. Pelos que desejam, mas não querem. Pelos que se expremem, mas não conseguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, por nenhum destes. Reformulemos toda a questão.&lt;br /&gt;Pelos que acreditam em si próprios MAS nunca desistem. Pelos que sabem parar, sem que isso queira dizer uma negação. Pelos que sabem exactamente onde estão. Não, pelos que sabem que existe a indefinição, que o desconhecido é possível, mas nem assim o seguem. Pelos que, por uma hora ou até um ano, desejam a serenidade. Aceitemo-los e respeitemo-los. Mais tarde seguirão os seus caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora pelos outros. Pelos que não fogem do próprio medo, também eles têm medo, provavelmente mais ainda. Pelos que acreditam até aos 38 anos, e depois dos 38 recomeçam. O mesmo caminho com maior sabedoria, calejamento. Pelos que sentem, e do que sentem sabem. Pelos que leêm e escrevem e pintam e curam. Pelos que se ferem e são feridos e mostram, mostram tanto. Pelos exemplos vários e que todos nós tenhamos um. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela junção dos uns aos outros, que a serenidade se saiba aliar à intensidade, que uma mão compense a outra e que se aprenda a respirar em conjunto. Que o ar que falta a um seja compensado pelo bafo que sobra ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem a falta de arte, mas por vezes somos reflexo dos nossos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113797257253030570?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113797257253030570/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113797257253030570' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113797257253030570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113797257253030570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/parentesis-ii-lio-40-minutos-paragens.html' title='parentesis II - lição - 40 minutos [paragens forçadas à literatura]'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113789285072866413</id><published>2006-01-22T01:18:00.000Z</published><updated>2006-01-22T01:20:50.736Z</updated><title type='text'>Das Minhas as Tuas com Vertigem</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/milano1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/milano1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113789285072866413?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113789285072866413/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113789285072866413' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113789285072866413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113789285072866413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/das-minhas-as-tuas-com-vertigem.html' title='Das Minhas as Tuas com Vertigem'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113780690152013649</id><published>2006-01-21T01:11:00.000Z</published><updated>2006-01-21T01:28:21.520Z</updated><title type='text'>gomo</title><content type='html'>Estarias aqui se te estendesse?&lt;br /&gt;Crescimentos verbais em noites de Inverno. Chamaram-nos os ratos do Inferno, abusaram-nos como às madeiras dos restantes. Certamente não. São trovões, são cavalos, são mãos abertas em V como em forma de ti, são memórias de sempre que distorcem a harmonia. &lt;br /&gt;São poemas que perdem a forma porque a classe se esqueceu de o pedir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113780690152013649?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113780690152013649/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113780690152013649' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113780690152013649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113780690152013649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/gomo.html' title='gomo'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113777433590309445</id><published>2006-01-20T16:18:00.000Z</published><updated>2006-01-21T01:00:24.433Z</updated><title type='text'>oh, nada</title><content type='html'>Quando a música se parte em três, quando os fogos se apagam em placas. &lt;br /&gt;Quando pedimos chuva, mesmo que para longe. Quando a mão se queima no verso.&lt;br /&gt;Ninguém desiste do ritmo, só das junções.&lt;br /&gt;Ninguém aprecia mais que o outro - mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pipocas saltam sempre&lt;br /&gt;desde que mais alto que o tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As câmeras seguram-se trémulas&lt;br /&gt;para antes e para longe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia farás todo o sentido possível&lt;br /&gt;E perder-te-às mais que na primeira vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113777433590309445?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113777433590309445/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113777433590309445' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113777433590309445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113777433590309445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/oh-nada.html' title='oh, nada'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113754544917872765</id><published>2006-01-18T00:49:00.000Z</published><updated>2006-01-18T00:50:49.196Z</updated><title type='text'>parentesis tosco</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/4%20em%20linha22.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/4%20em%20linha22.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113754544917872765?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113754544917872765/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113754544917872765' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113754544917872765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113754544917872765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/parentesis-tosco.html' title='parentesis tosco'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113754054583617905</id><published>2006-01-17T22:23:00.000Z</published><updated>2006-01-18T10:42:10.766Z</updated><title type='text'>poema</title><content type='html'>&lt;em&gt;[aos meus primos]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis ser actor e não deixaste, quis fazer cursos e histórias e ventos. Quis fazer tudo ao mesmo tempo, cheio de formação e de medo. Tudo amontoado como numa repetição de ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis mudar-me daqui para ser mais compreensível, quis fazer ficção e mentes quentes. Passar a mão pelas amoras na geada do Inverno, sem luvas e de botas postas. Nunca quis cheirar mal, porque admirava a proximidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis ouvir outras bandas, deixar talvez a água correr de maneiras perdidas, contar as gotas noutras costas. Quis abrir a janela e ver neve - polaroids que congelam a água em partes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quis pregar os dias numa placa, quis ser sereno em tudo o resto, quis riscar e arranjar. Quis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis ser poeta à meia noite, arrumar quartos e brinquedos, esgotar-me em prioridades e descansos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço tudo novo e tudo treme, congelo e descongelo à velocidade do tempo. &lt;br /&gt;Faço a vida por um fio, os ovos que se partem são sempre poesia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me sento na escada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113754054583617905?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113754054583617905/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113754054583617905' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113754054583617905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113754054583617905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/poema.html' title='poema'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113743635498344313</id><published>2006-01-16T18:24:00.000Z</published><updated>2006-01-16T18:32:34.993Z</updated><title type='text'>Firenze</title><content type='html'>Bolas de neve que se fazem de mãos quentes. Derrete mas fica, desenha mas parte. &lt;br /&gt;Cidades passantes à velocidade vaporizada dos ferros, combóios travados por adeptos fervorosos, amigos feitos ao correr do pincel. Morto. &lt;br /&gt;Juro que fico, juro que pago, juro que acompanho. A boca do lobo. &lt;br /&gt;Gostas sempre dos mesmos lugares, das mesmas caras novas, dos países distantes que te atravessam em viagem. És simples porque és, não porque desejas. Desejas sempre.&lt;br /&gt;Chegas a casa e compras maçãs, sentes o peso da água no braço direito, falta-te tudo porque tudo é demais. Mas és sempre longe. &lt;br /&gt;Daqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113743635498344313?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113743635498344313/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113743635498344313' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113743635498344313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113743635498344313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/firenze.html' title='Firenze'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113719520443756019</id><published>2006-01-13T23:31:00.000Z</published><updated>2006-01-13T23:33:24.450Z</updated><title type='text'>Toys That go Boom - I Don't Like Guns</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/toys.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/toys.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113719520443756019?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113719520443756019/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113719520443756019' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113719520443756019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113719520443756019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/toys-that-go-boom-i-dont-like-guns.html' title='Toys That go Boom - I Don&apos;t Like Guns'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113711683304896709</id><published>2006-01-13T01:45:00.000Z</published><updated>2006-01-13T01:47:13.060Z</updated><title type='text'>alegria no trabalho</title><content type='html'>Tiques de noite. Autocarros que nos passam em arranques brutais, festivais de cor, morangos espalhados nas paredes, estômagos cheios e mãos todas perdidas. Cartas que chegam em tempos injustos, horários que não servem os tempos de paz. &lt;br /&gt;Irmãos dos outros, primos nos quais nos vingamos, sorvemos o amor todo porque o outro não nos serviu. A instabilidade da meia lua. As laranjas cortadas. &lt;br /&gt;De que me servia viver se viver não fosse clássico? --&gt; não egocêntrico, geral&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113711683304896709?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113711683304896709/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113711683304896709' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113711683304896709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113711683304896709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/alegria-no-trabalho.html' title='alegria no trabalho'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113702805147563135</id><published>2006-01-12T01:01:00.000Z</published><updated>2006-01-12T01:07:31.486Z</updated><title type='text'>a camomila está cara</title><content type='html'>Não devem esgotar-se os dias, devem fazer-se as camas como em pastos verdes altos. Devem pôr-se os dedos, pegar as coisas e os riscos. Deve correr-se contra, aceitar os tantos e fugir dos cegos. &lt;br /&gt;Deve frequentar-se o mesmo local, pelo menos um de sempre em cada cidade. Deve ser-se Platão em Júpiter, erro, Plutão, devem mudar-se os pontos e os tremas que não existem. As câmeras estão todas formatadas no mesmo sentido extremo. Os chás filtram-se com garfos, porque o dinheiro não se desperdiça assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113702805147563135?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113702805147563135/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113702805147563135' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113702805147563135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113702805147563135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/camomila-est-cara.html' title='a camomila está cara'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113673023379340341</id><published>2006-01-08T14:22:00.000Z</published><updated>2006-01-08T14:23:56.556Z</updated><title type='text'>ansiedade</title><content type='html'>Espera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113673023379340341?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113673023379340341/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113673023379340341' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113673023379340341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113673023379340341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/ansiedade.html' title='ansiedade'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113657398848213364</id><published>2006-01-06T18:57:00.000Z</published><updated>2006-01-06T18:59:48.490Z</updated><title type='text'>aqui</title><content type='html'>Do regresso nada foge.&lt;br /&gt;Os fumos acontecem, mais que isso, permanecem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113657398848213364?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113657398848213364/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113657398848213364' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113657398848213364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113657398848213364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2006/01/aqui.html' title='aqui'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113602503632241573</id><published>2005-12-31T10:29:00.000Z</published><updated>2005-12-31T10:31:45.040Z</updated><title type='text'>31, 10, 28</title><content type='html'>Últimos dos que se lambem em becos escuros de sensibilidade extrema. &lt;br /&gt;Vamos fazer simples, para rematar um ano de tiros de tinta disparados sem alvo a paredes várias. No que acaba e no que começa não se pega, um ano não é como uma criança que chora e se agarra nas mãos, não existem palmadas nem festas que calem os sons absurdos ou claros.  Todos caem, António. Todos caem, Manuel. Todos caem, Maria. Todos se esforçam, uns menos, não existe algum que não tenha um dia esfregado as mãos num contentamento consumado. Existem cientistas, médicos, políticos e tu. O outro do outro, o mesmo do meu. O outro do mesmo. Existe um hospital em Lisboa dentro do qual se passeia, como se não fosse campo de concentração para gente sem ordem. Existem ruas em Milão sobre as quais se anda e se pisa e se espreme.  Tudo. &lt;br /&gt;Está claro demais, agarra-se com facilidade, há dias sem cor e há dias de fim. Há sempre dias que são o último, mas este é estupidamente mais que os outros. Na tua opinião. Eu tenho outra data, que mente. &lt;br /&gt;Chega. Última vez que se fez sentido. Talvez mudes, talvez provavelmente não. É cedo demais e as escovas nem se usaram ainda. Alguma vez pintaste a stencil?  Não se acaba com perguntas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113602503632241573?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113602503632241573/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113602503632241573' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113602503632241573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113602503632241573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/31-10-28.html' title='31, 10, 28'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113526906771378593</id><published>2005-12-22T16:30:00.000Z</published><updated>2005-12-22T16:31:07.723Z</updated><title type='text'>verde</title><content type='html'>Não há que ter medo. Ainda se cobrem músicas antigas, sons que te passaram e te colaram. Que te foram sempre nesta época. O tempo é eterno. As luzes são espectáculos de trânsito, os chapéus copos de cristal. As armas baixam-se sempre, os outros alimentam-se e protegem-se. Nunca se diz. Temos sempre sol, sempre terra e sempre água. Como gostas da palavra. &lt;br /&gt;Gosto de te encontrar. Gosto que me vejas para além do ódio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113526906771378593?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113526906771378593/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113526906771378593' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113526906771378593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113526906771378593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/verde.html' title='verde'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113459196595242129</id><published>2005-12-14T20:16:00.000Z</published><updated>2005-12-14T20:26:05.960Z</updated><title type='text'>nevoeiro</title><content type='html'>Quando acordas e está sol. Te levantas e não tens medo. Relaxas sempre porque é Natal. Porque é Natal.&lt;br /&gt;Não tens pensos nos dedos, não levas dois pares de meias, usas branco, vês branco. Bebes tudo o que tens para beber, comes o suficiente. Os eléctricos correm sobre linhas como águas sobre mãos. Hoje não neva, hoje é branco. Não vês mais que dois braços de distância. É Natal e nada rebentou. Obrigada a Alessandro, a Mohamed e a Peter. Nada rebentou.&lt;br /&gt;Hoje até as montras se espalham em golpes de luz, até as bicicletas abrandam para deixar passar a as árvores. Nada te justifica, tudo te observa. Contrário.&lt;br /&gt;O curto vale mais, como sabes sempre. Que as velas te toquem, que os pinheiros te relativizem. &lt;br /&gt;Somos sempre todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113459196595242129?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113459196595242129/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113459196595242129' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113459196595242129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113459196595242129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/nevoeiro.html' title='nevoeiro'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113451453865248467</id><published>2005-12-13T22:48:00.000Z</published><updated>2005-12-13T22:55:38.660Z</updated><title type='text'>brera</title><content type='html'>Ainda não. Ainda é cedo. Mas e as pinturas, e as fotografias, e os dedos e os cortes?&lt;br /&gt;Tudo a seu tempo. Mas a métrica, onde fica? Os professores, os cardiologistas, os carpinteiros e os advogados - o que diriam? &lt;br /&gt;Se nos espalhamos demais, apanhamos demais. Baixamos o corpo e esgotamos as costas. Gastamos mais. Somos menos. Pontos de vista. &lt;br /&gt;Sempre foste puro, nunca te apagaste. Leste O'Neill, Vian, Beckett. Viste Beckett. Como foste quando foste antes? Chacina dos menores. &lt;br /&gt;Não se bebe quando se esquece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113451453865248467?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113451453865248467/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113451453865248467' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113451453865248467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113451453865248467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/brera.html' title='brera'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113436962641641827</id><published>2005-12-12T06:33:00.000Z</published><updated>2005-12-12T06:40:26.426Z</updated><title type='text'>acordar antes, apagável</title><content type='html'>Batidos de leite quando ainda nem existem dentes. Quando o sol ainda não nasceu nem os jogos sequer se criaram. Acordamos cedo demais, calculamos mal a proporcionalidade entre tempo e distância. E perdemos o momento exacto, quando um se perde e outro se corre, quando um se assusta e outro se levanta. &lt;br /&gt;As mãos são reflexo de regressão.&lt;br /&gt;E a hora chega ao fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113436962641641827?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113436962641641827/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113436962641641827' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113436962641641827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113436962641641827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/acordar-antes-apagvel.html' title='acordar antes, apagável'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113423776682752247</id><published>2005-12-10T17:57:00.000Z</published><updated>2005-12-10T18:02:46.826Z</updated><title type='text'>vitorioso emanuel</title><content type='html'>mas &lt;br /&gt;e então&lt;br /&gt;e antes&lt;br /&gt;e depois&lt;br /&gt;e logo&lt;br /&gt;mais tarde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cansa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas&lt;br /&gt;então&lt;br /&gt;antes&lt;br /&gt;depois&lt;br /&gt;logo&lt;br /&gt;cedo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;somos dois. somos seis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113423776682752247?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113423776682752247/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113423776682752247' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113423776682752247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113423776682752247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/vitorioso-emanuel.html' title='vitorioso emanuel'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113423717155046473</id><published>2005-12-10T17:45:00.000Z</published><updated>2005-12-10T17:52:51.563Z</updated><title type='text'>panettone</title><content type='html'>Porque não?&lt;br /&gt;Sobre o Natal, sobre a mesa, sobre o quente fora do frio, sobre a neve e sobre o vento. Sobre a música. Sobre todos e sobre tudo - quente e longo, armadura de napa contra o medo e contra o sol. Capa de uns a favor de outros.  Graças adeus, graças a ti, graças ao mesmo espírito que todos levamos embora qualquer coisa. Não sou. Não quero. Não posso. Não vou. &lt;br /&gt;E agora somos todos daqui, vamos todos com o carinho do papel. Levamos os mesmos tropeções de todos os anos. Saltamos com coragem as mesmas partes, abraçamos com humor as mesmas cartas.  Enchemos tudo e ficamos sempre - os pratos, os copos, a massa, o açucar. O verde e o vermelho. O azul e as variações. &lt;br /&gt;Espero que fiques, espero que venhas, não espero que voltes mas espero que estejas. Como até hoje. Nunca como sempre. E tu?  &lt;br /&gt;Luzes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113423717155046473?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113423717155046473/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113423717155046473' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113423717155046473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113423717155046473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/panettone.html' title='panettone'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113423446517709956</id><published>2005-12-10T17:03:00.000Z</published><updated>2005-12-10T17:09:28.536Z</updated><title type='text'>desejo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/FabioGiampietro05.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/400/FabioGiampietro05.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113423446517709956?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113423446517709956/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113423446517709956' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113423446517709956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113423446517709956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/desejo.html' title='desejo'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113399477648366495</id><published>2005-12-07T22:30:00.000Z</published><updated>2005-12-07T22:34:19.766Z</updated><title type='text'>agora</title><content type='html'>Se as árvores se estendessem um pouco mais que o possível, talvez todos chegássemos onde não queremos. &lt;br /&gt;Se a música se acalmasse um pouco, talvez as folhas não se gastassem tanto. &lt;br /&gt;Se eu fosse menos, tu chegarias a ser um pouco mais. Gratuitamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113399477648366495?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113399477648366495/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113399477648366495' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113399477648366495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113399477648366495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/agora.html' title='agora'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113389821495378163</id><published>2005-12-06T19:42:00.000Z</published><updated>2005-12-06T19:47:06.640Z</updated><title type='text'>unwanting</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por aqui tudo sempre. Sempre simples, sempre duro, sempre tudo e muito menos. Fumos e sólidos que escondem o sol, dias de noite quando a neve nem chega. Sempre os mesmos passos, nunca os mesmos jogos, queria os mesmos olhos. Mas as palavras nunca nos chegam.&lt;br /&gt;Se não fosses forte eu nunca me teria partido, nunca teria feito ninguém chorar, nunca teria abusado das rotações. Vejo tudo, vejo o médio com receio. Com anseio. Chega a inveja. As luzes que se acendem nunca deitam fumo, os tapetes que se batem nunca sofrem menos por custarem mais.&lt;br /&gt;Segunda hipótese. Químicos naturais em cérebros alucinantes, pessoas que te trazem a casa e não são eu, carros que resistem mais ao tempo e menos ao carinho. Congelamos todos mesmo que em África.&lt;br /&gt;Alguém que finge estar sozinho, que reza em silêncio e que nunca escorrega no gelo da cidade. Muito tempo que passa mas o tempo é irracional, inconsequente e companheiro. Não tenhas medo que passa sempre. Gostava de poder comprar-te algo mais que pão quente, gostava de saber o que bebes, o que és e porque acabaste de mão estendida na porta escura desse templo que não é teu.&lt;br /&gt;Impressões da cidade que se mexe, que não pára. Mas nós paramos sempre. Nós já vimos mais. Somos mais que têxtil, somos carne viva, não temos marca repetível.&lt;br /&gt;Espero que fiques. Espero que percebas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113389821495378163?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113389821495378163/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113389821495378163' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113389821495378163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113389821495378163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/unwanting.html' title='unwanting'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113366041574754204</id><published>2005-12-04T01:40:00.000Z</published><updated>2005-12-04T01:40:15.750Z</updated><title type='text'>que te consoles</title><content type='html'>abençoados os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113366041574754204?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113366041574754204/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113366041574754204' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113366041574754204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113366041574754204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/12/que-te-consoles.html' title='que te consoles'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113330154267857520</id><published>2005-11-29T21:58:00.000Z</published><updated>2005-11-29T21:59:02.683Z</updated><title type='text'>não</title><content type='html'>Partidas de xadrez, meus amigos! Jogos confusos, puxadores de cabeça e não de portas. Todos ouvimos as mesmas músicas. Não me canso de dizer que somos todos filhos do mesmo pai. Que se cansem os mais sóbrios, que se atirem os menores. Cervejas no inferno, oito mais oito. Podes ficar, podes quebrar-te em três. Desculpa se não me clarifico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113330154267857520?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113330154267857520/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113330154267857520' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113330154267857520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113330154267857520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/11/no.html' title='não'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113300126769747904</id><published>2005-11-26T10:31:00.000Z</published><updated>2005-11-26T10:34:27.703Z</updated><title type='text'>compensação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Somos rasgões abertos, feridas que se mordem sem respeitar hemorragias. Somos objectos perdidos em noites de teatros, em malabarismos extensos e jogos de perigo. Corremos demais quando ninguém nos apanha, espalhamos manteiga em círculos de vício. Somos sempre. Colamos postais, sem selos, sem água. Temos o medo, a saudade e o vício. Enrolamos os dedos nos nossos como em brincadeiras de antes, olhamos a neve e divagamos porque é novo. Somos eterna raiz.&lt;br /&gt;Olhamos os outros partir, fechamos a porta sem sentido e sem valor. Objectos – madeira, matéria que fica e que abre caminhos. A mesma música de sempre, os outros a enaltecerem-nos através de si próprios. A pureza do eu.&lt;br /&gt;Não durmo mais. A neve não deixa - somos sempre pequenos no que é novo. Pouco inteligentes e sempre pasmados. Ah se pudesses ouvir o seu ruído abafador de carros. Aqui sabe sempre bem. Aqui não há energia eólica. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113300126769747904?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113300126769747904/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113300126769747904' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113300126769747904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113300126769747904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/11/compensao.html' title='compensação'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113295321001391698</id><published>2005-11-25T21:08:00.000Z</published><updated>2005-11-25T21:13:30.020Z</updated><title type='text'>observação</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/1600/matilde%20004.jpg"&gt;&lt;img style="CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6276/1907/320/matilde%20004.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113295321001391698?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113295321001391698/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113295321001391698' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113295321001391698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113295321001391698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/11/observao.html' title='observação'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113291642861546149</id><published>2005-11-25T10:53:00.000Z</published><updated>2005-11-25T11:00:28.623Z</updated><title type='text'>placa branca</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Se não estivessemos tão longe não poderia começar. A cidade é abusiva, um antro de loucuras e de estados desencontrados. Começo a achar que todos os que aqui estão fugiram de qualquer lugar que lhes pertence, que lhes pertenceu em tempos mas não agora. Se não estivesse aqui não o poderia confirmar.&lt;br /&gt;Acabou mesmo por cair a neve, como se o céu finalmente se libertasse de um peso de chumbo que trazia nas costas. Irrespirável e muito pouco usual. Os autocarros têm agora que ultrapassar as placas de tempo e os espasmos de branco para poderem chegar a qualquer lugar.&lt;br /&gt;Não nos rimos da lua porque a lua se escondeu. Não fazemos as pazes porque fugimos do frio, acabando assim por fugir uns outros. Derretemos só em casa, e derretemos mal porque não nos dão as mãos. Mas tocam os tamborins todos para nós.&lt;br /&gt;A neve quando cai não avisa, não deita sons de experiências falhadas nem de explosões magníficas. Mas sabemos sempre. E quando a vimos da janela já cá está, já nasceu, já amanheceu. Não tem a violência da chuva mas também não faz silêncio. Quase que nos manda calar, num som contínuo e sereno. Desordenado.&lt;br /&gt;Não é a mim que procuras, não é o outro nem o outro. Sentes-te só estrangeiro num mundo que desde sempre te pertence. Como te respiro. É para ser curto, por isso agora fica só a neve. Só o som.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113291642861546149?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113291642861546149/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113291642861546149' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113291642861546149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113291642861546149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/11/placa-branca.html' title='placa branca'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113304770005800875</id><published>2005-11-24T18:34:00.000Z</published><updated>2005-11-26T23:28:20.066Z</updated><title type='text'>devagar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; Diz-se que há dias de despesas. Há dias em que o pensamento se desconcentra dos objectivos principais. As mulheres dançam ardentemente em filas de DNA. Os homens chutam bolas de telhados. O barco é meu. A chuva é cortiça. Todos queremos o mesmo.&lt;br /&gt;Sala cheia de luz, varanda cheia de água. Tenho olhos, tenho mãos, tenho medo, tenho arte. Tenho tudo. Sou quase nada. Observo remotamente desde escalas aumentadas, deito sangue só para cheirar o ferro.&lt;br /&gt;A cidade escorre daqui para longe, quando não me apaixono não me sei perder, tenho encontros em excesso, queimo fogos noutros tempos. O cubo está ligado, o automático não se perde, as bebidas não se trocam – os hábitos nunca se mudam. Nunca devia ter lutado contra ti, nem contra ti, nem contra ti. Se queres entrar entra, se queres fugir fica. Já li este guião. Tudo vibra, nada distrai. Abelhas em sintonia, queijos cheios de amor. Ah sinceridade. Somos todos estrangeiros no mesmo colégio. Faço-te perguntas porque te domino, sei bem o que te faz chorar, existem tiques que não se perdem. Tens os dedos cheios de tinta.&lt;br /&gt;Porque não se encontra o mar? Estou impressionado, os disfarces são infinitos. Como pode a natureza lutar contra si própria? Que o façam os homens já é fascinante só por si. Já chegava. Nada chega.&lt;br /&gt;Rezas muito? Quem é o teu deus? Sempre as interrogações e agora quem te dá as respostas? Quem é o teu fornecedor? Trabalhas em franchising? Descansa, não pergunto mais. Atrasa o suor. Um pouco mais.&lt;br /&gt;Disseram-me que os meus livros eram maus, questionaram os meus discos, abusaram dos meus muros, pintaram tudo tudo. E ainda quero. Tudo dura e ninguém engole. Cada vez mais confuso, cada vez mais perto, sempre mais no chão.&lt;br /&gt;Não parecias feliz, não parecias divertires-te, parecias egoísta e cheio de luz. Estavas no meio, o foco distante, a lava cheia de pó. Podia ter tocado o mesmo som que tu, podia fazer ficção e nunca poesia; mas eu não quero o que tu desejas. O céu está cheio de números pares. Zero mais um.&lt;br /&gt;Observa, ouve. É electrico, tem GPS, não se perde e nunca se vê. São servidos em tabuleiros de xadrez, são pouco calóricos e dispersam-se em si próprios. E ninguém vai perceber, ninguém vai ver desta vez. No fim podemos até beber limonada, para variar a cor. E tudo se esvai em segundos. Invisível a loucura dos outros. Sei bem as regras.&lt;br /&gt;Podia contar-te agora mesmo o meu segredo, explicar teoricamente tudo o que me move os dedos, as linhas que ligam o cérebro aos ossos. Podia. Perder toda a genuinidade. Há palavras que se constroem por si próprias.&lt;br /&gt;Admiro sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113304770005800875?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113304770005800875/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113304770005800875' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113304770005800875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113304770005800875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/11/devagar.html' title='devagar'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19299225.post-113291666655348383</id><published>2005-10-20T13:02:00.000+01:00</published><updated>2005-11-25T11:04:26.556Z</updated><title type='text'>memória descritiva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há cidades que são brumas concisas na expansão do saber. Correrias que se perdem em passos de autocarros. Árvores que nascem improváveis entre pedras de urbano. E há cigarros que se fumam em noites que ameaçam o Inverno. Há suspiros entre toques de aparelhos menores que nos ligam e desligam os fios condutores. Correndo riscos de falsas junções de ideias vagas, de abusos agramaticais, há rasgões. De calças perdidas em armários escuros, de camisolas propositadamente castanhas, de revistas abusivamente dispendiosas manchadas pela vergonha de ser passageiro. Entram em cena ainda as músicas antigas dos beijos ausentes em tempos perfeitos. Hang. Bang.&lt;br /&gt;Da janela sobem sons metálicos, acordes de máquinas criadas a favor da comodidade do ser moderno, do estar perfeito, do escuro sempre iluminado. Nunca partimos definitivamente, simplesmente acreditamos em deuses vários. Só os pais permanecem, só o sangue sabe ser matéria eternamente reaquecível. Há panelas que não queimam.&lt;br /&gt;Homens diurnos que se deitam sobre si próprios em imortais esperas, mãos solitárias que se estendem no vazio dos terrenos sujos sobrepostos a pegadas. São rosas, Senhor. Afirmações bravas cheias de contemporaneidade. E as moedas caem, por vezes, altivas na imposição e na desverbalização. Luvas de dedos cortados, cheiros desconhecidos à primeira sensibilidade. Tudo jogo. Sopas nocturnas oferecidas a homens que se oferecem ao poder inextinguível da gravidade térrea. Meias sem cor.&lt;br /&gt;A Universidade é Universal. Amadeo de Souza-Cardoso é dado como espanhol, este jogo não jogo, as copas viram sempre espadas. Mais vale o poker. Máscaras que caem ao som de trintas, de sem, de esperma. De dias maus. E as inscrições são complicadas, os pedidos silenciosos não se transformam nunca em desejos assumidos, o tudo é nada o nada é tudo. Quase.&lt;br /&gt;Informações que escorrem em baba consistente, transparente e com toques de branco sujo. Mãos. Há palavras que são marcas de Zorro, há espadas que tremem e hesitam mas chegam sempre à terra casa. Destronados os poetas dos tigres. Khubla Khan. Cheiros de praias de areia fina, pátria vermelha de apostas claustrofóbicas.  Literatura de domicílio contra a escrita de viagens.&lt;br /&gt;Avenidas abusadoras de arquitectos contrastando com becos e saudades, alcatrão contra pedra polida. Luz contra serenidade. Mulheres enroladas montadas em rodas duplicadas, embebidas em lã e em maçã. A batalha ao polyester. Botas que engasgam os cachecóis.&lt;br /&gt;Bolachas que perdem o chocolate em hinos à água salgada. Ausência carente de carne real, de sumos espremidos em manhãs de Natal, de fogos encrostados em placas habitáveis, de caras novas minhas sempre. De campainhas explosivas como Carnaval. Passam-se épocas a pente fino. Dentes alinhados e mostrados a público, braços abertos como épicos de momento, odores magros e habituais, telefones ligados a fichas. Fragilidades. Como objectos impalpáveis recebidos em ecrãs pouco planos, rasgos criativos dos que tentam e tentam e jogam contra o mundo. São nomes que se escondem em frases pouco claras, nomes de sempre e para sempre.&lt;br /&gt;Há cidades cobertas pelo fumo de si próprias.&lt;br /&gt;Entram esquemas de contornos, poços de sabedoria da alucinação.&lt;br /&gt;Da janela se perde a ironia, do quarto se joga com as teclas, a esperança só morre depois da criatividade.&lt;br /&gt;Homens como fantasmas em proximidades absurdas, em tremores e salas vazias.&lt;br /&gt;A universidade das pedras batidas.&lt;br /&gt;Informações pedidas em língua estranha, compassada a metrónomo, mahjong de caracteres imperfeitos.&lt;br /&gt;Avenidas pedidas e perdidas, barras de ferros a dividirem naturezas.&lt;br /&gt;Bolachas mastigadas não cuspidas, corpos que se aumentam e se tornam pouco económicos.&lt;br /&gt;Dentes de ouro em peitos de cinza, metáforas de espadas e leituras favoritas, outras terras que não estas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19299225-113291666655348383?l=cittastencil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cittastencil.blogspot.com/feeds/113291666655348383/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299225&amp;postID=113291666655348383' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113291666655348383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19299225/posts/default/113291666655348383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cittastencil.blogspot.com/2005/10/memria-descritiva.html' title='memória descritiva'/><author><name>Matilde C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11244265403692790360</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
